Em 21 de janeiro de 1976, o Rio de Janeiro entrou para a história da aviação comercial ao receber um dos primeiros voos regulares do Concorde, jato supersônico operado pela Air France e British Airways.

Naquela data, há exatos 50 anos, o Brasil foi escolhido pela companhia aérea francesa como destino final de um serviço que marcou a estreia comercial do avião, ainda que com características que evidenciavam tanto seu avanço tecnológico quanto suas limitações.

O Concorde da Air France, de matrícula F-BVFA, decolou de Paris às 12h40 com destino ao Rio de Janeiro (Galeão), realizando uma escala em Dakar, no Senegal. 

A necessidade da parada intermediária deixava claro que, embora extremamente rápido, o Concorde não possuía alcance suficiente para ligar a Europa à América do Sul sem reabastecimento, o que reduzia parte de sua vantagem operacional. Ainda assim, o voo levou 7 horas e 26 minutos, cerca de quatro horas a menos do que um voo comercial subsônico da época.

Belíssima propaganda da Air France anunciando os voos de Concorde para o Rio de Janeiro.
Belíssima propaganda da Air France anunciando os voos de Concorde para o Rio de Janeiro.

Com capacidade para aproximadamente 100 passageiros, o Concorde voava a cerca de 18 mil metros de altitude e mantinha velocidade de cruzeiro próxima de Mach 2.02, o equivalente a cerca de 2.170 km/h. A escolha do Rio de Janeiro como destino inaugural reforçava o peso do Brasil na malha internacional da Air France nos anos 1970, em um momento de forte expansão das ligações transatlânticas.

No mesmo dia em que o Concorde pousava no Rio, a British Airways, a outra operadora do modelo, também iniciava sua operação comercial, com o primeiro voo ligando Londres ao Bahrein. Assim, o 21 de janeiro de 1976 marcou oficialmente a entrada do Concorde no serviço regular, em duas frentes distintas.

Concorde fotografado no aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro
Concorde fotografado no aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro

Voos concentrados em Nova York e acidente

A operação do supersônico no Brasil, no entanto, teve vida curta. Em 1982, a Air France encerrou os voos regulares para o Aeroporto do Galeão e concentrou o uso do Concorde principalmente na rota entre Paris e Nova York, além de operações fretadas. O elevado custo operacional do avião limitava sua viabilidade comercial, especialmente em mercados fora do eixo financeiro do Atlântico Norte.

Outro capítulo central da história do Concorde ocorreu em 25 de julho de 2000, quando o voo Air France 4590, operado por um Concorde de matrícula F-BTSC, caiu pouco após a decolagem do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, com destino a Nova York. O acidente matou os 100 passageiros, nove tripulantes e quatro pessoas em solo. Foi o único acidente fatal envolvendo o modelo em toda a sua carreira.

O Concorde teve uma acidente fatal em 2000
O Concorde teve uma acidente fatal em 2000

 Após modificações técnicas e mudanças de procedimentos, o Concorde voltou a voar, mas o cenário já era desfavorável. Os atentados de 11 de setembro de 2001, a queda na demanda por viagens de alto custo e os gastos elevados de operação aceleraram o fim do programa. Em 2003, Air France e British Airways encerraram definitivamente os voos do supersônico.

Cinco décadas depois do voo inaugural para o Rio de Janeiro, o episódio permanece como um marco singular da aviação brasileira. Foi a única vez em que o país integrou, ainda que por um período limitado, a operação regular de um avião supersônico na aviação comercial.

Desde a aposentadoria do Concorde, em 2003, diferentes iniciativas surgiram com o objetivo de recuperar o desempenho supersônico na aviação civil, desta vez com maior foco em eficiência operacional, custos e emissões. Nenhuma delas, até agora, resultou em um avião comercial em operação.

Jato supersônico Overture (Boom)
Jato supersônico Overture (Boom)

O projeto mais avançado é o Overture, desenvolvido pela startup norte-americana Boom Supersonic. A proposta é um jato supersônico com capacidade para até 80 passageiros, velocidade máxima estimada em Mach 1.7 — inferior à do Concorde —, mas com maior alcance e menor impacto sonoro. 

A empresa afirma que o avião foi concebido para reduzir o estrondo sônico e operar com combustíveis sustentáveis, buscando viabilizar o retorno do voo supersônico comercial em um cenário regulatório e ambiental mais restritivo.