O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) protocolou uma ação civil pública contra a GOL Linhas Aéreas por práticas de greenwashing relacionadas ao programa ‘Meu Voo Compensa’, na última semana, em São Paulo.

A ação sustenta que a GOL comercializou ativos digitais, conhecidos como tokens, em vez de créditos reais de carbono, sem fornecer informações claras sobre a validade ambiental desses instrumentos aos consumidores.

Segundo Christian Printes, gerente jurídico do Idec, "os consumidores acreditavam estar compensando emissões reais, mas, na prática, estavam comprando um ativo digital sem validade ambiental comprovada".

O Idec pede a condenação da prática, indenização coletiva de R$ 5 milhões e que a GOL realize contrapropaganda sobre os problemas do programa, além da retirada de alegações ambientais que não tenham comprovação técnica.

Os tokens foram emitidos pela Moss, apesar de a certificadora internacional Verra ter proibido a tokenização de créditos desde 2022. Parte dos créditos estava vinculada ao Projeto Fortaleza Ituxi, alvo de investigação da Polícia Federal na Operação Greenwashing.

Para Julia Catão Dias, coordenadora do programa de Consumo Sustentável do Idec, "esses programas reforçam a ideia de que a crise socioambiental se resolve individualmente, no carrinho de compras".

A GOL encerrou o programa e rompeu a parceria com a Moss em janeiro, após questionamentos públicos e aumento do escrutínio regulatório sobre práticas ambientais no setor aéreo.