A Índia deu um passo decisivo para renovar a frota de aviões de transporte tático após o Conselho de Aquisições de Defesa aprovar o programa MTA, que prevê a aquisição de 60 aeronaves para a Força Aérea Indiana (IAF).

A proposta, avaliada em cerca de 1 trilhão de rúpias (aproximadamente 12 bilhões de dólares), agora seguirá para o Conselho de Aquisições de Defesa para aprovação formal antes que o processo de licitação comece.

De acordo com o plano, 12 aeronaves serão  entregues em condições de voo, enquanto as 48 restantes terão de ser montadas na Índia em parceria com a indústria local. Fontes do governo afirmaram à imprensa local que o programa seguirá o modelo de aquisição “Comprar e Fazer” do país, que exige um nível significativo de fabricação local e transferência de tecnologia.

Um Il-76 da Força Aérea da Índia (Karunakar Rayker)
Um Il-76 da Força Aérea da Índia (Karunakar Rayker)

As aeronaves têm como objetivo principal substituir a frota de Antonov An-32 da IAF, que entrou em serviço em meados da década de 1980 e se tornou cada vez mais difícil de manter devido a escassez de peças de reposição. Espera-se que as novas aeronaves de transporte assumam algumas missões atualmente realizadas também pela frota de quadrijatos Ilyushin Il-76.

Os requerimentos incluem uma aeronave capaz de operar a partir de pistas curtas ou semi-preparadas e em aeroportos de alta altitude, incluindo regiões no nordeste da Índia, perto do Himalaia. Essas condições desempenharam um papel crítico durante o confronto militar com a China em Ladakh oriental, quando o transporte aéreo se tornou essencial para sustentar o deslocamento de tropas e mover equipamentos para áreas montanhosas.

C-390 com as cores da Força Aérea da Índia (Embraer)
C-390 com as cores da Força Aérea da Índia (Embraer)

Concorrentes ocidentais e até russo

A Embraer já apresentou o C-390 Millennium aos indianos e destaca o fato de ser um jato e que é capaz de transportar cerca de 26 toneladas de carga. A empresa tem uma parceria com a Mahindra para viabilizar a produção local. A mídia indiana tem apontado o modelo brasileiro como possível favorito, graças ao desempenho e capacidade ímpar.

A Lockheed Martin banca o conhecido turboélice C-130J Super Hercules, que já está presenta na frota da IAF. A aeronave tem capacidade de carga menor, de cerca de 20 toneladas, mas se beneficia de um ecossistema logístico e de manutenção estabelecido na Índia. A Lockheed Martin trabalha com a Tata Advanced Systems como parceira.

C-130J Hercules da Força Aérea da Índia (LM)
C-130J Hercules da Força Aérea da Índia (LM)

A Airbus, por sua vez, tem um concorrente grande, o A400M Atlas,  aeronave capaz de transportar mais de 30 toneladas. Embora sua capacidade de carga exceda a faixa de requisitos declarada pela IAF, a aeronave combina capacidades de transporte aéreo tático e estratégico.

Outro potencial e surpreendente concorrente é a Ilyushin da Rússia, parte do grupo UAC e que poderia propor uma nova aeronave de transporte para substituir a família Il-76 atualmente operada pela Força Aérea Indiana. A indústria russa tem laços de longa data com o setor de aviação militar da Índia, fornecendo aeronaves como o Il-76 e os aviões-tanques Il-78.

Força Aérea Indiana An-32
Força Aérea Indiana An-32

De acordo com relatos da mídia indiana, a Ilyushin poderia fazer parceria com a estatal Hindustan Aeronautics Limited (HAL) se entrar na competição – a UAC e a empresa já têm um relacionamento amplo que envolve a montagem dos caças Su-30 e planejam a produção local do jato regional SJ-100.

Aspectos industriais devem pesar fortemente no processo de seleção. Funcionários indianos enfatizaram que a decisão dependerá não apenas da capacidade operacional, mas também da transferência de tecnologia, produção local e desenvolvimento de um ecossistema aeroespacial local.

O programa surgiu após esforços anteriores para desenvolver uma aeronave de transporte médio conjunta com a Rússia e que não avançaram, deixando a IAF com uma necessidade crescente de modernizar sua frota de transporte aéreo tático.