A Força Aérea Indiana estaria em conversas com o Equador para avaliar a transferência de jatos de ataque Sepecat Jaguar aposentados a fim de manter o modelo em operação até cerca de 2035.

Segundo a imprensa indiana, as negociações envolvem a aquisição de células estocadas para desmontagem, e não para retorno ao voo. A ideia é utilizar motores, conjuntos estruturais e sistemas de bordo como fonte de peças, em um momento em que a disponibilidade de componentes se tornou um fator crítico para um jato cuja produção foi encerrada há mais de quatro décadas.

A Índia é hoje o único país que ainda opera o Jaguar em missão de combate de primeira linha com pouco mais de 150 desses aviões na ativa. Apesar da idade, a aeronave segue empregada em missões de ataque ao solo e penetração a baixa altitude. A sustentação da frota, no entanto, tornou-se cada vez mais complexa com o desaparecimento das cadeias originais de suprimento e a redução dos estoques globais de peças.

Ex-Força Aérea Equatoriana Jaguar (USAF)
Ex-Força Aérea Equatoriana Jaguar (USAF)

 O Equador surge como uma alternativa devido à situação de sua antiga frota. A Força Aérea Equatoriana retirou o Jaguar do serviço operacional no início dos anos 2000 e encerrou oficialmente as operações em 2006, mantendo algumas aeronaves em armazenamento controlado.

Avaliações recentes indicam que quatro células ainda permanecem estocadas, além de uma aeronave preservada como peça de museu. Mesmo em número reduzido, cada célula é considerada relevante pelo potencial de recuperação de componentes utilizáveis.

Ex-Força Aérea Real Sepecat Jaguar (USAF)
Ex-Força Aérea Real Sepecat Jaguar (USAF)

Essa iniciativa segue uma estratégia já adotada pela Índia em outros momentos. A França transferiu anteriormente mais de 30 Jaguars aposentados, juntamente com motores e um amplo conjunto de peças. O Reino Unido também forneceu aeronaves de treinamento e centenas de itens de reposição. Além disso, a Índia deverá receber Jaguars retirados de serviço por Omã, que operou o modelo até 2014. Em todos esses casos, o foco esteve na recuperação de componentes, e não na reativação das aeronaves.

Projeto anglo-francês

O Sepecat Jaguar é um jato de ataque supersônico desenvolvido em parceira entre o Reino Unido e a França a partir dos anos 1960, destinado a missões de apoio aéreo aproximado e ataque tático, incluindo o papel de dissuasão nuclear durante a Guerra Fria. O modelo entrou em produção em 1968 e iniciou operações em 1973, com um total de 573 aeronaves fabricadas até 1981.

Além do Reino Unido e da França, o Jaguar foi exportado para Índia, Omã, Equador e Nigéria, tendo sido empregado em diferentes conflitos e operações militares, incluindo missões na Bósnia, Chade, Iraque, Mauritânia e Paquistão. A França aposentou seus últimos Jaguars em 2005, enquanto a Royal Air Force fez o mesmo em 2007.

Na Índia, o Jaguar permaneceu em serviço graças a sucessivos programas de modernização e à ausência de um substituto imediato. A Força Aérea Indiana planeja retirar gradualmente o modelo à medida que novas aeronaves entrem em operação, como o Tejas Mk-2 e o futuro caça nacional de quinta geração.