O National Transportation Safety Board (NTSB), órgão de segurança no transporte dos EUA, concluiu que a colisão no ar entre um jato regional CRJ700 e um helicóptero militar UH-60 Black Hawk, ocorrida em 29 de janeiro de 2025 nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, foi resultado de uma série de falhas sistêmicas associadas à gestão do espaço aéreo pela Federal Aviation Administration (FAA).
O acidente envolveu um Bombardier CRJ700 operado pela PSA Airlines, que realizava o voo 5342, e um helicóptero Sikorsky UH-60L do Exército dos Estados Unidos, que operava sob o indicativo PAT25. A colisão ocorreu a cerca de 800 metros ao sudeste do aeroporto, durante a fase de aproximação do jato, e resultou na queda das duas aeronaves no rio Potomac. Todas as 67 pessoas a bordo morreram.
Segundo o relatório final, divulgado após audiência do conselho do NTSB realizada em 27 de janeiro de 2026, o acidente foi provocado pela decisão da FAA de permitir operações regulares de helicópteros em rotas próximas às trajetórias de pouso e decolagem do aeroporto, sem salvaguardas adequadas de separação entre tráfegos civis e militares. A investigação também apontou que a agência deixou de analisar dados operacionais e ignorou recomendações anteriores para revisar essas rotas.

O NTSB identificou ainda falhas na cultura de segurança da FAA, destacando que controladores de tráfego aéreo da torre de Reagan National haviam levantado preocupações repetidas sobre o risco de conflitos entre aeronaves, mas que esses alertas não resultaram em mudanças operacionais. De acordo com a presidente do conselho, Jennifer Homendy, o acidente “foi totalmente evitável”.
A investigação também citou deficiências nos procedimentos do Exército dos Estados Unidos, incluindo falhas no treinamento e na cultura de segurança operacional, além da incapacidade da tripulação do helicóptero de detectar e evitar o jato comercial. O helicóptero voava acima da altitude máxima permitida para a rota utilizada — cerca de 300 pés, quando o limite era de 200 pés.
O NTSB destacou que sistemas de alerta baseados em ADS-B poderiam ter fornecido avisos antecipados às duas tripulações, com até 59 segundos de antecedência para o jato e 48 segundos para o helicóptero. O uso obrigatório dessa tecnologia em helicópteros militares segue em debate no Congresso dos Estados Unidos.

Recomendações à FAA
Como resultado da investigação, o NTSB emitiu duas recomendações urgentes à FAA: a proibição imediata de operações na chamada Rota de Helicópteros 4 quando as pistas 15 e 33 estiverem em uso no aeroporto, e a definição de uma rota alternativa para manter a conectividade entre Hains Point e a ponte Wilson sem cruzar áreas críticas de aproximação.
Dados apresentados durante a audiência revelaram que, desde 2021, ocorreram mais de 15.200 incidentes de separação entre helicópteros e aeronaves comerciais na área do aeroporto de Washington, incluindo 85 eventos classificados como quase colisões.
Após o acidente, a FAA reduziu temporariamente a taxa de chegadas por hora no aeroporto e impôs restrições adicionais ao tráfego de helicópteros na região. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já reconheceu a responsabilidade federal pelo acidente, citando ações tanto do controlador de tráfego aéreo quanto da tripulação militar.
O NTSB afirmou que continuará monitorando a implementação das mais de 30 recomendações emitidas à FAA e alertou que riscos semelhantes podem existir em outros aeroportos com tráfego misto intenso, caso mudanças estruturais não sejam adotadas.
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