Lançada em junho de 2013 durante o Paris Air Show, a família de jatos comerciais E2 da Embraer não conseguiu repetir o sucesso inicial da série original de E-Jets, que logo acumulou centenas de pedidos.
Em 2025, no entanto, o E190-E2 - e sobretudo o E195-E2 - já atingiram o melhor ano de vendas de sua história, com 154 pedidos firmes até aqui.
Isso equivale a quase um terço da carteira de pedidos da Embraer desde a primeira encomenda feita pela AerCap há 12 anos.
Considerando o acordo mais recente fechado pela fabricante brasileira com a arrendadora TrueNoord, há 491 pedidos de jatos E2 até o momento. Destes, 424 são do E195-E2, a maior aeronave comercial já desenvolvida pela Embraer.

2025 é o ano da virada
A mudança de ventos começou em fevereiro quando a All Nippon Airways (ANA) anunciou uma encomenda de 15 E190-E2 para atualizar sua frota regional após o fracasso do programa japonês SpaceJet.
Em junho, no entanto, sua tradicional cliente, a LOT Polish Airlines, deixou de lado uma relação de décadas para anunciar que o rival Airbus A220 iria tomar o lugar da numerosa frota de E-Jets.
A derrota foi dolorida, mas a Embraer deu a volta por cima semanas depois com um surpreendente pedido de 45 E195-E2 pela companhia aérea SAS. E num intervalo de menos de 40 dias, a companhia celebrou três enormes contratos com quase 100 aviões.

Em 10 de setembro, a Avelo Airlines tornou-se a primeira cliente da família ao encomendas 50 E195-E2. Menos de duas semanas mais tarde, a LATAM anunciu um acordo para 24 E195-E2 com 50 opções e 14 de outubro, a TrueNoord, empresa sediada na Holanda, fechou outras 20 aeronves do tipo.
Com isso, a lista de clientes de E2 já beira 30 operadores, uma carteira respeitável para uma aeronave que disputa pedidos com a gigante Airbus.

Problemas sucessivos
Algumas situações postergaram o desempenho de vendas desses jatos, que contam com mais assentos, alcance e custos operacionais menores por assento. O primeiro foi a mal sucedida venda da divisão de aviação comercial da Embraer para a Boeing.
O que seria um impulso enorme nas vendas, por criar a possibilidade de acordos mais amplos com jatos da fabricante dos EUA, tornou-se um problema porque deixou os E2 em compasso de espera.

A joint venture foi desfeita antes de estrear em abril de 2020, época em que outro pesadelo já havia surgido, a pandemia do Covid-19, reduzindo o ritmo de entregas.
Mal saímos da crise sanitária e os reflexos na cadeia de suprimentos, sobretudo dos problemas dos motores Pratt & Whitney GTF, causaram novos atrasos, que ainda não foram completamente equacionados.
E175-E2 poderia ter adicionado mais pedidos
Agora isso parece ter ficado no passado e a Embraer afirma buscar voltar à entregar mais de 100 aviões comerciais por ano - incluindo o best-seller E175 da primeira geração.

Os E2, no entanto, têm um longo caminho para honrar o sucesso dos E1. Somente o E175 tem mil pedidos e segue a venda. Já o E190, até anos atrás, o líder em vendas, teve 568 aeronaves entregues, portanto, ainda com alguma vantagem em relação ao E195-E2 (424 pedidos até aqui).
O quadro poderia ser mais otimista não fosse uma derrapada estratégica da Embraer ao apostar suas fichas no E175-E2, uma aeronave muito capaz, mas que não atende às cláusulas de escopo acertadas entre as principais companhias aéreas dos EUA e seus pilotos.
Se tivesse nascido dentro desse envelope de capacidade (até 76 assentos e peso máximo de decolagem de 46 toneladas), o E175-E2 certamente teria algumas centenas de pedidos de companhias aéreas regionais dos Estados Unidos.
Ainda assim, a empresa vive seu melhor momento em anos e tudo leva a crer que novos acordos pelos E2 surgirão nos próximos meses.

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