Um juiz federal dos EUA aprovou o pedido do Departamento de Justiça para arquivar um caso criminal contra a Boeing, vinculado a dois acidentes fatais com o 737 MAX que resultaram na morte de 346 pessoas. O juiz Reed O’Connor proferiu a decisão após o governo solicitar o término da ação em um tribunal do Texas.
O caso foi reativado após o DOJ acusar a Boeing de violar um acordo anterior relacionado aos acidentes. O juiz afirmou que não tinha autoridade para rejeitar o pedido do governo para arquivamento.
O juiz O’Connor criticou a decisão do governo, afirmando que “o acordo não garante o nível de responsabilidade necessário para garantir a segurança pública”, mas que não tem autoridade para reverter a situação.
Sob os novos termos, a Boeing não é obrigada a passar por três anos de supervisão por um monitor independente, mas deve nomear um consultor de conformidade.
A Boeing concordou em pagar um adicional de US$ 444,5 milhões a um fundo de compensação para vítimas, uma nova multa de US$ 243,6 milhões e mais de US$ 455 milhões para aprimorar seus programas de conformidade, segurança e qualidade.
O Departamento de Justiça defendeu sua abordagem, citando “avanços significativos” da Boeing no fortalecimento de protocolos contra fraudes e conspirações. A empresa continua sob escrutínio enquanto implementa esses novos compromissos.

Relembre os dois acidentes que deixaram o 737 MAX no solo por 20 meses
O primeiro acidente com o 737 MAX ocorreu em 29 de outubro de 2018, quando o voo JT610 da Lion Air caiu no Mar de Java logo após a decolagem de Jacarta, na Indonésia.
Todos os 189 ocupantes a bordo foram mortos. Investigadores posteriormente determinaram que um sistema de controle de voo conhecido como Sistema de Aumento de Características de Manobra (MCAS) havia forçado repetidamente o nariz da aeronave a descer devido a dados incorretos dos sensores, enquanto a equipe lutava para retomar o controle. O relatório também citou treinamento inadequado de pilotos e falhas na manutenção.
Menos de cinco meses depois, em 10 de março de 2019, o voo ET302 da Ethiopian Airlines, outro 737 MAX 8, caiu minutos após a decolagem de Adis Abeba, matando todos os 157 ocupantes.
O acidente apresentou semelhanças notáveis com a queda da Lion Air, novamente envolvendo o sistema MCAS. Em poucos dias, autoridades de aviação em todo o mundo groundaram a frota do 737 MAX enquanto a investigação prosseguia. O grounding durou 20 meses, se tornando um dos mais longos na história da aviação comercial moderna.
A Boeing foi posteriormente obrigada a redesignar o MCAS, atualizar os procedimentos de treinamento de pilotos e reformular elementos de seu processo de certificação de segurança antes que a aeronave fosse liberada para retornar ao serviço.
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