A LATAM está em negociação com governos estaduais e municípios para definir quais rotas serão operadas pelos jatos Embraer E195-E2 que a companhia aérea deve receber ainda neste ano. A informação foi confirmada pelo CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, durante teleconferência de resultados realizada na terça-feira (3).
Segundo o executivo, a empresa mantém a expectativa de receber 12 aeronaves do modelo em 2026, com entregas previstas para o quarto trimestre, de acordo com o cronograma apresentado pela Embraer. Em paralelo, a companhia discute com os entes locais quais aeroportos têm condições operacionais e fiscais para receber os novos voos.
“A gente ainda não fechou as rotas. Estamos trabalhando na lista de destinos que gostaríamos de voar e em conversa com os Estados para entender os aeroportos que acomodam a operação e também o ICMS”, afirmou Cadier.
Os E195-E2, configurados com 136 assentos, devem permitir à LATAM explorar mercados hoje considerados inviáveis com a atual frota baseada majoritariamente em aeronaves Airbus, que têm maior capacidade e peso operacional. O novo jato regional oferece menor custo por voo em rotas de menor densidade e maior flexibilidade para aeroportos com restrições de pista ou demanda mais limitada.
De acordo com Cadier, a entrada em serviço do E195-E2 na LATAM deve ocorrer cerca de um ano após o anúncio do negócio, dentro de um prazo considerado rápido para a incorporação de um novo tipo de aeronave. A operação ainda depende de certificação e aprovação por parte da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Em setembro do ano passado, a LATAM anunciou um pedido para até 74 jatos Embraer E195-E2. Desse total, 24 aeronaves correspondem a encomendas firmes, avaliadas em cerca de US$ 2,1 bilhões a preços de tabela, com opções para ampliações futuras.
Durante a mesma teleconferência, Cadier também comentou o avanço das discussões sobre o uso do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) como garantia para linhas de financiamento ao setor aéreo. Embora tenha classificado a iniciativa como positiva, o executivo ressaltou que o desafio será estruturar um modelo que atenda às diferentes companhias sem distorcer o ambiente competitivo.
O governo federal trabalha para viabilizar o uso de recursos do FNAC ainda no primeiro semestre, com previsão de até R$ 4 bilhões no orçamento. As grandes companhias teriam acesso a até R$ 1,2 bilhão cada, enquanto empresas menores poderiam captar até R$ 200 milhões. As operações seriam estruturadas pelo BNDES e acompanhadas de contrapartidas operacionais e financeiras, que seguem em discussão com o setor.
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