O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que o programa de caça Future Combat Air System (FCAS) continua viável, rebatendo alegações de que o projeto teria colapsado após disputas prolongadas entre França e Alemanha sobre sua estrutura industrial. As declarações foram dadas em entrevista publicada na segunda-feira pelo jornal Le Monde.

Macron disse que as forças aéreas da França e da Alemanha reafirmaram recentemente a necessidade estratégica de uma aeronave de combate de próxima geração e chegaram a um acordo sobre as especificações centrais do projeto. Ele rejeitou a ideia de que o FCAS esteja morto, argumentando que a Europa não pode fragmentar seus esforços futuros em aviação de combate.

As declarações ocorrem após meses de negociações travadas entre os principais parceiros industriais do programa, a Dassault Aviation e a Airbus. Divergências sobre a liderança do desenvolvimento do caça e a divisão de trabalho entre as empresas impediram avanços, levando o projeto a uma situação próxima de paralisia, segundo fontes da indústria e do governo citadas pelo Financial Times.

Os presidentes Volodymyr Zelenskiy e Emmanuel Macron
Os presidentes Volodymyr Zelenskiy e Emmanuel Macron

Uma reunião entre os ministros da Defesa da França, Alemanha e Espanha, realizada em dezembro, não conseguiu destravar o programa, que tem como objetivo substituir os caças Rafale franceses e os Eurofighter operados por Alemanha e Espanha a partir da década de 2040.

Macron criticou as empresas de defesa pelo que descreveu como tentativas de priorizar interesses corporativos em detrimento da cooperação, dizendo que esse comportamento compromete a eficiência e a coesão do projeto. Segundo ele, o tema será novamente discutido diretamente com o chanceler alemão Friedrich Merz, na tentativa de recolocar o programa nos trilhos.

O FCAS é um dos projetos de defesa mais ambiciosos da Europa e prevê a combinação de um caça de sexta geração com sistemas não tripulados, sensores e capacidades de combate em rede. Em paralelo, o Reino Unido, Itália e Japão desenvolvem uma aeronave similar dentro do programa GCAP. Já a Suécia tenta evoluir de forma isolada com um estudo semelhante.