Difícil encontrar algum homem com barba na cara que, quando criança, não corria para a janela para encontrar no céu aquele jato que anunciava sua passagem com tamanho barulho. Nas Olimpíadas do Rio, esses marmanjos poderão ter a chance de se deliciarem com máquinas espetaculares, talvez com uma simples contemplação do horizonte carioca. A partir de 24 de julho, 80 aeronaves, entre aviões de caça e helicópteros de combate, estarão de prontidão para atuar na proteção aérea da cidade e também em outras capitais.

Durante entrevista coletiva na sede do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), no Rio de Janeiro, a Força Aérea Brasileira (FAB) detalhou as ações para os Jogos Olímpicos que começam no dia 5 de agosto. Aviões e helicópteros que serão usados, zonas de exclusão aérea, bases de apoio, funcionamento dos aeroportos, logística da chegada de delegações e chefes de estado estão entre as estratégias da corporação.

Para os aficionados por aviação, um prato cheio. Só para a parte de defesa área, um desfile de quatro máquinas de tirar o fôlego. A estrela é o F-5EM Tiger. Se algum malandro se fingir de desavisado e quiser invadir as zonas de uso restrito estipuladas pela FAB, vai ter de encarar as garras desse tigre. De origem norte-americana, o caça atinge a velocidade máxima de 2.112 km/h, carrega um canhão de 20 mm e tem capacidade para levar até 3.800 kg de armamentos, entre mísseis, foguetes e bombas.

Caberão aos F-5 a interceptação de aeronaves suspeitas e o disparo contra qualquer objeto que seja considerado hostil – situação limite só usada em caso de ameaça à segurança de cidadãos e do evento. Compõem a defesa aérea o Embraer A-29 Super Tucano (máxima de 593 km/h, com duas metralhadoras de 12,75 mm e capacidade de 1.500 kg de armamentos), além dos helicópteros de combate AH-2 e H-60, o popular Black Hawk. “Nossos aparelhos estarão voando durante os eventos para que possamos ter a agilidade necessária”, explica o Major-Brigadeiro do Ar Mário Luis Jordão, comandante do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra).

Os céus ainda terão outras máquinas poderosas. Como os aparelhos remotos Hermes RQ-450 e RQ-900, para ações de reconhecimento, com câmeras de alta resolução e por infravermelho, e o “avião-radar” E-99 para vigilância. As patrulhas marítimas ficarão a cargo dos pilotos dos P-3AM, que poderão partir de bases no Rio, São Paulo e Bahia. Para reabastecimento em voo, os Hércules KC-130. “Ações de destruição só em situações extremas e com autorização do comandante da Aeronáutica”, explica o Major-Brigadeiro.

O "avião-radar" E-99 pode localizar aeronaves a cerca de 400 km de distância (FAB)
O "avião-radar" E-99 pode localizar aeronaves a cerca de 400 km de distância (FAB)

O "avião-radar" E-99 pode localizar aeronaves a cerca de 400 km de distância (FAB)

Estes aparelhos (e outros) estarão de prontidão e ajudarão no monitoramento das zonas de exclusão aérea, divididas em três níveis no Rio de Janeiro. A área Branca, que vai de Angra dos Reis (litoral Sul-fluminense) até Cabo Frio (Região dos Lagos), e do Oceano Atlântico até a divisa do estado com Minas Gerais, proíbe, a partir do dia 24 de julho, voos de treinamento, turismo, instrução, ultra-leves, asa-delta, assim como atividades de pulverização agrícola, balões, parapente, dirigíveis, drones, entre outros.

A FAB vai empregar diversos tipos de aeronaves na proteção dos jogos olímpicos (FAB)
A FAB vai empregar diversos tipos de aeronaves na proteção dos jogos olímpicos (FAB)

A FAB vai empregar diversos tipos de aeronaves na proteção dos jogos olímpicos (FAB)

Zonas de exclusão

A partir do dia 3 de agosto até o dia 22, e dos dias 7 a 19 de setembro (Jogos Paralímpicos), entra em funcionamento a Área Amarela, que inclui os aeroportos Internacional Antonio Carlos Jobim/Galeão e Santos Dumont, e vai de Niterói a praia de Grumari (bairro da Zona Oeste) e do Oceano até Nova Iguaçu (município da Baixada Fluminense). Só poderão sobrevoar esta zona de 15 milhas náuticas (27,78 km) os aviões autorizados.

A área vermelha será ativada das 8h às 2h sobre os complexos esportivos onde ocorrerão as competições. Com 4 milhas náuticas de raio (7,4 km) protege a Barra da Tijuca/Jacarepaguá (Zona Oeste), os bairros do Maracanã, Deodoro e Engenho de Dentro (na Zona Norte) e Copacabana (Zona Sul). No caso da Barra, onde fica o Parque Olímpico, não haverá moleza: a zona estará ativada 24 horas por dia. A mesma logística de exclusão aérea valerá para as cidades que receberão as partidas de futebol das Olimpíadas – São Paulo, Brasília, Manaus, Salvador e Belo Horizonte.

A parte de aviação regular e comercial, obviamente, será afetada. Apesar da flexibilização da zona Vermelha na região do Santos Dumont devido às competições de vela que acontecerão na Baía de Guanabara, o aeroporto estará na área Amarela e ficará fechado para pousos e decolagens das 12h40 às 17h10, entre os dias 8 e 18 de agosto. Foi uma solicitação da empresa que fará a captação e geração de imagens da Rio 2016. Com isso, o Santos Dumont vai operar até meia-noite – normalmente, fecha às 22h30.

Aeronaves não autorizadas não poderão sobrevoar as zonas de exclusão (FAB)
Aeronaves não autorizadas não poderão sobrevoar as zonas de exclusão (FAB)

Aeronaves não autorizadas não poderão sobrevoar as zonas de exclusão (FAB)

Já a Base Aérea do Galeão terá espaço exclusivo e controlado para o desembarque de chefes de estado e delegações. As bases aéreas de São Paulo (BASP) e Brasília (BABR) também recepcionará autoridades. “Um evento desses implica em regras e essas regras podem gerar uma quebra de rotina. Mas temos que dar toda a atenção à segurança”, justifica o Major-Brigadeiro Jordão.

O Aeroporto de Jacarepaguá terá operações limitadas exclusivamente para segurança. Ao todo, serão mais de 15 mil militares durante a Rio 2016. Todas as bases aéreas da cidade – Santa Cruz (BASC), Campo dos Afonsos (BAAF) e do Galeão (BAGL) – servirão de apoio logístico.

Em algumas destas bases estarão, ainda, os SC-105 e H-36, disponíveis para busca e salvamento. Na logística de transporte, o Boeing C-767, com capacidade para 38 toneladas e 257 passageiros, além do C-97 Brasília, do C-99 e do C-95 Bandeirante. O C-105 Amazonas estará voltado também para operações de evacuação. Nas Olimpíadas, vai ter gente com um olho nos atletas e outro no céu.

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