A Azul Linhas Aéreas anunciou nesta quinta-feira, 23, um  plano de negócios atualizado como parte do seu processo de reestruturação sob Chapter 11. O documento prevê ajustes na frota e redução de obrigações financeiras, visando posicionar a companhia para uma recuperação sustentável.

A empresa estima sair do processo com alavancagem líquida de 2,5 vezes, resultado de negociações com acionistas e mudanças estratégicas nos contratos de arrendamento. O plano contempla ainda uma economia de custos de R$ 747 milhões, fundamentada em ganhos de produtividade e acordos já firmados.

Segundo a Azul, os passivos serão inferiores ao estimado anteriormente, em razão da manutenção de aviões E-Jets E1 de menor custo, diminuição nas entregas do E195-E2 e rejeição de aeronaves Airbus A330-900. Esses fatores proporcionam pagamentos de arrendamento e dívidas menores.

O E195-E2 da Azul pousa no Santos Dumont pela primeira vez (Azul Linhas Aéreas)
O E195-E2 da Azul pousa no Santos Dumont pela primeira vez (Azul Linhas Aéreas)

O plano atualizado traz melhora significativa no indicador EBITDA menos aluguel, comparado aos cenários anteriores. A companhia também avalia potencial para uma economia adicional de R$ 160 milhões, caso atinja a taxa de execução projetada.

“Este plano de negócios reflete a paixão dos nossos tripulantes e nosso desejo de reconstruir a Azul como uma companhia aérea muito mais forte. Durante este processo, conseguimos chegar a acordos com nossos principais stakeholders, reduzindo significativamente nossa dívida e alavancagem, aumentando nossa geração de fluxo de caixa livre e, ao mesmo tempo, estabelecendo relacionamentos estratégicos de longo prazo. O plano que apresentamos hoje mostra esses resultados positivos e estamos extremamente entusiasmados para preparar a Azul para o futuro”, afirmou John Rodgerson, CEO da Azul.

A330neo indo para a GOL?

O documento que explica o plano de negócios da Azul não detalha quantos jatos E2 serão postergados nem como a empresa pretende ‘rejeitar’ os A330neo, seus widebodies mais modernos, porém, confirma movimentos recentes na frota.

Embraer E-Jet: mais barato de operar (Joao-Carlos-Medau/Wikimedia)
Embraer E-Jet: mais barato de operar (Joao-Carlos-Medau/Wikimedia)

Sobre os E195-E2, persistem dúvidas sobre o futuro da aeronave da Embraer em sua frota. Cada vez mais numerosa, as 36 aeronaves entregam melhor desempenho e eficiência, mas têm um leasing mais caro. A Azul tem 51 pedidos diretos junto à fabricante mas até hoje não recebeu nenhum deles.

Já os cinco A330-900 atualmente em serviço parecem ter um destino ‘doméstico’. Arrendados da Avolon, eles podem de fato mudar de endereço e irem para a rival GOL. A companhia aérea revelou ter fechado um acordo para cinco aeronaves com a mesma arrendadora e receberá os jatos em 2026.

Isso está em linha com o possível recebimento de jatos A330-200 que hoje voam na ITA Airways para o lugar dos A330neo na Azul.