O novo USS John F. Kennedy (CVN 79) concluiu os testes de mar conduzidos pelo estaleiro e retornou ao complexo de Newport News, na Virgínia, dentro do desenvolvimento que prevê sua entrega à Marinha dos Estados Unidos em 2027. O navio é o segundo porta-aviões da classe Gerald R. Ford, projetada para substituir gradualmente os navios da classe Nimitz.
Os chamados builder’s sea trials foram realizados ao longo de vários dias e tiveram como objetivo avaliar, pela primeira vez em ambiente operacional, sistemas e equipamentos do navio. Participaram das atividades tripulantes da unidade de pré-comissionamento, técnicos do estaleiro e equipes da Marinha responsáveis pela supervisão do programa.
Antes de sair para o mar, o John F. Kennedy passou por um período de “fast cruise”, um exercício conduzido ainda atracado, no qual os sistemas do navio são operados de forma contínua para simular condições reais de navegação. Esse processo permite que a tripulação avance na transição do ambiente industrial para a rotina operacional.
Segundo o cronograma mais recente, o porta-aviões deve passar por aceitação preliminar em meados deste ano. Após a análise dos dados coletados nos testes de mar e a correção de eventuais pendências, o navio seguirá para os acceptance trials, etapa conduzida pela Marinha dos EUA antes da entrega formal.

O CVN 79 acumula atrasos desde o início do programa. Em 2020, a Marinha alterou o modelo de entrega, abandonando a estratégia de duas fases e optando por uma entrega única já preparada para operar o caça F-35C. O navio também será entregue com o radar Enterprise Air Surveillance Radar (EASR), outro sistema que não estava previsto no plano original.
Nos últimos anos, o cronograma voltou a sofrer revisões devido às dificuldades na certificação e integração de tecnologias inéditas, como o Advanced Arresting Gear (AAG), responsável pela recuperação das aeronaves no convés, e os Advanced Weapons Elevators (AWE), que transportam armamentos entre os conveses internos. Ambos os sistemas são novos para a Marinha dos EUA e já haviam causado atrasos no navio-líder da classe.
A postergação da entrega do John F. Kennedy terá impacto direto na composição da frota. Com a aposentadoria prevista do USS Nimitz (CVN 68) nos próximos meses, a Marinha dos Estados Unidos deverá operar com apenas dez porta-aviões por cerca de um ano, até a incorporação do CVN 79.
Após a entrega, o John F. Kennedy ainda passará por um período adicional de preparação até o comissionamento oficial e a entrada plena em serviço operacional, etapas que fazem parte do processo padrão para navios dessa classe e complexidade.
Aviação Militar

