Afundada em dívidas, a Antonov possui atualmente apenas um cliente fora da Ucrânia, a Polícia Nacional do Peru, que encomendou uma única aeronave de transporte militar An-178 em 2019.
Mas até mesmo esse contrato corre o risco de ser interrompido. Segundo a controladoria do governo peruano, o acordo entre o Ministério do Interior do país com a Spetstechnoexport, empresa de exportação da Ucrânia, pode resultar num prejuízo de US$ 64 milhões.
O acordo previa a entrega do jato no final deste ano, mas a Antonov ainda não concluiu sua montagem dentro do prazo. Por conta disso, o contrato teria expirado, obrigando as partes a renegociarem seus termos.
Em 21 de dezembro, no entanto, Spetstechnoexport divulgou um comunicado em que contesta as alegações peruanas. De acordo com a estatal ucraniana, o governo peruano até o momento não realizou qualquer pagamento do contrato.

“Até o momento o contrato é válido, mas devido à falta de financiamento do cliente - o Ministério de Assuntos Internos da República do Peru - está sendo executado com atraso. Ao mesmo tempo, a solução do problema de financiamento não depende do lado ucraniano A questão mencionada está relacionada com a não aceitação da garantia bancária por parte de bancos estatais e privados do Peru. Justamente por isso é uma circunstância complicadora que altera significativamente o equilíbrio das obrigações contratuais”, disse a Spetstechnoexport.
Ainda de acordo com a empresa, a produção do único An-178 está sendo feita às custas do governo do país. Em 2020, a Antonov chegou a divulgar imagens da aeronave na linha de montagem em Kiev.
O AN-178 é um jato bimotor com capacidade para transportar 18 toneladas de carga em distâncias de até 5.500 km a uma velocidade de 825 km/h. Ou seja, é um rival direto do KC-390 Millennium, da Embraer, que foi selecionado por três países até agora - Brasil, Portugal e Hungria. Além do Peru, o governo da Ucrânia encomendou três aeronaves no ano passado.
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