A Petrobras iniciou a entrega de combustível sustentável de aviação (SAF) produzido integralmente no Brasil, com um lote de 3 mil m³ destinado a distribuidoras que operam no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. O volume equivale a cerca de um dia de consumo dos aeroportos do estado.
O SAF pode substituir o querosene tradicional sem ajustes nas aeronaves ou nos sistemas de abastecimento, o que facilita sua adoção. Para a aviação, a importância está na redução direta das emissões de CO₂, já que parte da matéria-prima é de origem renovável.
A OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) calcula que o uso em larga escala do combustível é uma das poucas medidas tecnicamente viáveis para diminuir o impacto climático dos voos nas próximas décadas.

O produto entregue foi fabricado na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), que possui certificação ISCC-CORSIA, exigida para o uso em voos internacionais. Nessa rota de coprocessamento, a refinaria mistura óleo vegetal ou resíduos industriais — como o óleo técnico de milho — às correntes convencionais de petróleo.
A parcela renovável é limitada pela ANP a 1,2% e, segundo a estatal, pode representar redução significativa da intensidade de carbono na fração sustentável.
A produção surge num momento em que o setor aéreo se prepara para novas regras. A partir de 2027, companhias brasileiras deverão empregar SAF em voos internacionais como parte do programa CORSIA.
O uso também será regulamentado no mercado doméstico por meio da Lei do Combustível do Futuro, que estabelece metas graduais.
Além da Reduc, outras unidades da Petrobras avançam em testes e certificações. A Revap, em São José dos Campos, já validou a rota de coprocessamento, enquanto a Replan, em Paulínia, e a Regap, em Minas Gerais, têm previsão de iniciar produção comercial em 2026.
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