A Azul Linhas Aéreas está enfrentando um novo problema em seu processo de recuperação judicial, a debandada de pilotos.
Segundo o jornal O Estado de São Paulo, cerca de 40 pilotos deixaram a Azul apenas em setembro, sendo que 90% deles migraram para a LATAM.
A rival está expandindo sua atuação doméstica e internacional e possui comunalidade de equipamentos com a Azul no que diz respeito aos jatos A320.
O principal motivo seria a diferença de remuneração e condições de trabalho. Enquanto a média mensal histórica de desligamentos gira em torno de dez pilotos, a Azul viu 70 profissionais saírem entre janeiro e agosto deste ano.
O movimento coincide com a abertura de 317 vagas para pilotos na Latam, que ampliou seu quadro para suprir a demanda de expansão da frota.

A remuneração oferecida pela LATAM é, em média, 30% superior à praticada pela Azul. Além disso, pilotos relataram à reportagem aumento das horas extras, mudanças frequentes na escala e redução de benefícios, como o transporte fornecido pela empresa, fatores que têm pesado na decisão de troca.
Novos jatos E195-E2 podem intensificar movimento
A compatibilidade de operação entre os modelos Airbus facilita a transição dos profissionais entre as companhias, reduzindo custos de treinamento e ela pode se estender para um modelo-chave entre as duas companhias, o E195-E2.
A LATAM acaba de anunciar um pedido de até 74 jatos junto à Embraer dos quais os primeiros serão entregues dentro de menos de um ano. Trata-se de uma aeronave inédita na empresa e do qual a Azul possui uma frota extensa.
O processo de recuperação judicial (chapter 11) da Azul nos Estados Unidos também contribui para um cenário de incerteza interna. Em meio às saídas, a companhia afirmou seguir todas as regulamentações vigentes e manter diálogo com o sindicato dos aeronautas.
Ao jornal, a Azul negou irregularidades nas condições de trabalho, já a LATAM não se manifestou.
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