A Força Aérea Portuguesa recebeu o ministro da Defesa de Angola, general João Ernesto dos Santos, na Base Aérea N.º 11, em Beja, em 16 de janeiro, para uma visita às instalações que operam o cargueiro militar KC-390 Millennium.

A comitiva angolana foi acompanhada pelo ministro da Defesa Nacional de Portugal, Nuno Melo, e pelo chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general João Cartaxo Alves. O programa incluiu uma passagem pela Esquadra 506, onde os visitantes puderam conhecer de perto as capacidades do KC-390, além do simulador de voo utilizado na formação de pilotos da aeronave.

Embora a Força Aérea Portuguesa não seja formalmente um país parceiro do programa KC-390, Portugal tem um papel relevante na cadeia industrial da aeronave, com a fabricação de componentes em território nacional. O país também foi o primeiro operador europeu e da OTAN do KC-390, tornando-se uma referência operacional para o cargueiro desenvolvido pela Embraer.

Ministro da Defesa de Angola, General do Exército João Ernesto dos Santos, a bordo do KC-390
Ministro da Defesa de Angola, General do Exército João Ernesto dos Santos, a bordo do KC-390

Portugal encomendou seis aeronaves KC-390. Em setembro do ano passado, ao confirmar a compra do sexto exemplar, o governo português também garantiu opções para até outras dez unidades, que poderão ser destinadas a países parceiros por meio de acordos entre governos.

Angola vem sendo apontada como um potencial cliente do KC-390 há alguns anos. Em 2025, durante visita oficial ao país africano, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o banco de fomento BNDES poderia financiar a venda de três aeronaves para a Força Aérea Angolana. Declarações semelhantes já haviam sido feitas em 2023, quando se mencionava a possibilidade de uma encomenda de quatro aviões.

Ministros da Defesa de Angola e Portugal, e ao fundo, o KC-390.
Ministros da Defesa de Angola e Portugal, e ao fundo, o KC-390.

Apesar dos contratos recentes fechados pela Embraer para o KC-390 em outros mercados, o continente africano ainda não conta com operadores confirmados do modelo. A frota de transporte de Angola é composta majoritariamente por aeronaves de origem soviética, como os Antonov An-12, An-24/25 e An-32, além dos jatos An-72 e Il-76. O país também opera turboélices chineses MA-60 e um Airbus C295.

Angola, no entanto, mantém uma relação de longa data com a Embraer no segmento militar. A força aérea do país adquiriu anteriormente treinadores EMB-312 Tucano e recebeu recentemente seis aeronaves EMB-314 Super Tucano para missões de ataque leve e apoio aéreo aproximado.