A intensificação das sanções econômicas impostas pelo governo do presidente Donald Trump começou a afetar diretamente a aviação comercial em Cuba, com a escassez de combustível forçando companhias aéreas a cancelar voos ou buscar alternativas de reabastecimento fora do país.
Após a decisão de Washington de interromper o fluxo de petróleo venezuelano para a ilha e ameaçar aplicar tarifas a países que forneçam combustível a Havana, as autoridades cubanas emitiram um Aviso aos Aeronavegantes (NOTAM) informando que o abastecimento de querosene de aviação permaneceria restrito ao menos até meados de março. As empresas aéreas foram alertadas de que o reabastecimento em território cubano não poderia ser garantido.
O impacto imediato foi sentido em rotas de longa distância. A Air Canada suspendeu todos os voos para Cuba e iniciou a repatriação de passageiros que já estavam no país. Outras companhias que operam para Havana e destinos turísticos adotaram medidas de contingência, incluindo escalas técnicas em terceiros países para abastecimento antes ou depois da parada em Cuba.
Operadores europeus, que já haviam enfrentado situação semelhante no ano passado, voltaram a ajustar seus planos de voo com paradas em mercados próximos, como República Dominicana, Bahamas e México. Companhias russas que realizam voos de longa duração também indicaram que podem alterar rotas para viabilizar o reabastecimento.

A crise de combustível na aviação ocorre em meio a um quadro mais amplo de escassez energética, provocado pelo endurecimento das sanções dos Estados Unidos e pela interrupção das entregas de petróleo venezuelano. O governo cubano adotou medidas de racionamento para preservar serviços essenciais e reduzir o consumo de combustível em diversos setores, incluindo o turismo.
Para as companhias aéreas, as restrições elevam custos operacionais, aumentam o tempo de voo e reduzem a eficiência da utilização das aeronaves. Escalas técnicas acrescentam complexidade logística e impactam especialmente rotas de longa distância que antes eram operadas sem paradas.
As medidas fazem parte de uma estratégia do presidente Donald Trump de intensificar a pressão econômica sobre o governo comunista de Cuba, que está no poder há quase sete décadas. Autoridades americanas defendem as sanções como forma de forçar mudanças políticas, enquanto críticos as classificam como uma tentativa de enfraquecer ou derrubar o atual regime em Havana.
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