O diretor executivo da Rolls-Royce, Tufan Erginbilgiç, afirmou que receberia bem a entrada da Alemanha no Global Combat Air Programme (GCAP), argumentando que parceiros adicionais fortaleceriam o projeto do caça de 6ªgeração, segundo o jornal The Guardian.
O GCAP é um esforço conjunto entre o Reino Unido, Itália e Japão para desenvolver uma aeronave de combate avançada destinada a substituir o Eurofighter Typhoon e o F-15 a partir de 2035. A Rolls-Royce é responsável pelo desenvolvimento do motor do caça, um elemento central do programa ao lado da fuselagem e sistemas.
Erginbilgiç disse que estaria “definitivamente aberto” à participação da Alemanha, observando que a Rolls-Royce já mantém uma presença significativa no país, incluindo em sua instalação em Dahlewitz, perto de Berlim, que se concentra em motores para aviação executiva.
Ele argumentou que uma maior participação no GCAP provavelmente se traduziria em um maior potencial de vendas dos jatos, uma vez que as nações parceiras devem adquirir a plataforma que ajudam a desenvolver.

Ele enfatizou que qualquer decisão sobre a participação alemã cabe aos governos, e não à indústria, acrescentando que desenvolvimentos geopolíticos poderiam manter a opção em consideração.
A especulação sobre a possível entrada de Berlim no GCAP aumentou à medida que o projeto FCAS tem enfrentado desavenças industriais entre a Dassault Aviation e a Airbus Defence and Space, em meio a disputas sobre divisão de trabalho e responsabilidades técnicas.
Em fevereiro, o chanceler alemão Friedrich Merz indicou que o caça planejado do FCAS não atendia totalmente às exigências da Alemanha, especialmente em relação à capacidade nuclear, que a França considera essencial para sua postura de dissuasão. Ele descreveu a questão como técnica e não política.
O governo do Reino Unido já sinalizou anteriormente abertura para parceiros adicionais no GCAP, enquanto enfatiza a necessidade de proteger o cronograma do programa. O caça está previsto para entrar em serviço em 2035, embora os ministros tenham adiado a assinatura de um contrato trilateral com a Itália e o Japão, aguardando a publicação de um plano atualizado de gastos com defesa.
Os governos europeus estão sob pressão para aumentar os orçamentos de defesa em resposta às ações da Rússia e aos apelos dos Estados Unidos para que a Europa assuma mais responsabilidade por sua própria segurança. Erginbilgiç afirmou que o investimento sustentado em capacidades aeroespaciais militares fundamenta tanto a segurança nacional quanto o potencial de exportação.

Ele apontou o Eurofighter Typhoon como um exemplo, observando que o Reino Unido continua a exportar a aeronave. Manter capacidades de design e fabricação por meio de programas como o GCAP, disse ele, é essencial para sustentar essas exportações e avançar tecnologias que também podem ser aplicadas na aviação civil.
Os comentários de Erginbilgiç ocorreram enquanto a Rolls-Royce relatou um aumento de 40% nos lucros anuais, impulsionado em parte pela forte demanda por sistemas de energia, incluindo aqueles usados em centros de dados.
Aviação Militar

