O CEO da Saab, Micael Johansson, afirmou que as discussões com o governo canadense sobre um potencial acordo de caça Gripen permanecem ‘intensas’, enquanto Ottawa continua a reavaliar parte de sua aquisição planejada de jatos F-35 sem um cronograma claro para uma decisão.

O Canadá tem um acordo para adquirir 88 caças F-35 da Lockheed Martin, com 24 aeronaves já financiadas. No entanto, o governo atual levantou dúvidas sobre os jatos restantes após tensões com a administração do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, reabrindo espaço para ofertas concorrentes.

Desde então, a Saab – e, em menor medida, a Dassault Aviation da França – têm buscado posicionar soluções alternativas. A proposta da Saab inclui o Gripen E/F, juntamente com a montagem local no Canadá e a possível adição de aeronaves de alerta antecipado GlobalEye como parte de um pacote mais amplo.

Micael Johansson, Presidente e CEO da Saab, e Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança (Embraer)
Micael Johansson, Presidente e CEO da Saab, e Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança (Embraer)

Micael Johansson, Presidente e CEO da Saab AB. Johansson disse que a empresa está em contato próximo com as autoridades canadenses, fornecendo dados sobre custos, cronogramas de entrega e participação industrial. Ele acrescentou que a Saab não recebeu uma indicação firme de quando Ottawa concluirá sua revisão do programa F-35.

Uma questão central é se o Canadá prosseguirá com uma frota única baseada no F-35 ou adotará uma abordagem mista que inclua outra plataforma. Funcionários dos EUA já alertaram que afastar-se do F-35 poderia complicar o papel do Canadá dentro do NORAD, particularmente em operações conjuntas de defesa aérea.

Lockheed Martin F-35
Lockheed Martin F-35

Johansson afirmou que a Saab vê um forte potencial na campanha canadense, mas enfatizou que o resultado depende de uma decisão política. Ele acrescentou que a empresa poderia começar a entregar aeronaves dentro de cinco anos, se selecionada, citando a base industrial do Canadá e a infraestrutura existente como fatores que apoiam um cronograma mais curto.

Ele também abordou os atrasos no programa Gripen do Brasil, dizendo que o caso canadense difere em termos de prontidão e capacidade local, o que poderia ajudar a evitar contratempos semelhantes.