A Saab pretende realizar em 2027 o primeiro voo de um demonstrador não tripulado de porte semelhante ao de um caça, como parte de um programa financiado pelo governo da Suécia para definir o futuro sistema de combate aéreo do país. A iniciativa integra a segunda fase do esforço conhecido como Future Fighter System e marca a transição de atividades puramente conceituais para a validação prática de tecnologias.
O demonstrador faz parte de um programa iniciado em 2024 e previsto para seguir até 2029. O objetivo é fornecer subsídios técnicos para que o governo sueco tome, até 2030, uma decisão sobre o substituto do caça Gripen. Segundo a Saab, estão sobre a mesa três caminhos possíveis: o desenvolvimento independente de um novo caça, a cooperação internacional ou a aquisição de uma aeronave estrangeira já existente.
De acordo com executivos da empresa, o trabalho atual envolve dezenas de projetos em paralelo, cobrindo áreas como autonomia avançada para sistemas tripulados e não tripulados, inteligência artificial, baixa observabilidade, guerra eletrônica, prototipagem rápida e manufatura aditiva. Parte dessas tecnologias será avaliada em solo antes de migrar para ensaios em voo.

Programas europeus de caças
Um dos focos do programa é o desenvolvimento do que a Saab chama de “baixa observabilidade robusta”, conceito voltado a permitir características furtivas compatíveis com o modelo operacional da Força Aérea Sueca. Isso inclui a capacidade de operar a partir de bases dispersas e pistas improvisadas, como rodovias, sem a necessidade de infraestrutura especializada ou processos complexos de manutenção.
O demonstrador aéreo também deverá empregar a arquitetura de software conhecida como “split core”, já utilizada no Gripen E. O sistema separa funções críticas de voo dos softwares de missão, permitindo atualizações mais frequentes dos sistemas táticos sem impactos significativos na disponibilidade da aeronave ou nos requisitos de certificação.
A Saab afirma que o programa governamental pode incluir, em fases posteriores, demonstradores com capacidade supersônica. No entanto, detalhes como motorização, configuração final da aeronave e cronograma de entrada em serviço de um eventual caça operacional ainda não foram definidos.

Paralelamente ao projeto do futuro caça, a empresa também desenvolve estudos ligados a aeronaves de combate colaborativas (CCA), tanto em aplicações militares quanto civis. O avanço de programas europeus similares, como iniciativas na França, Alemanha e Espanha, é acompanhado de perto por Estocolmo, já que eventuais mudanças nesse cenário podem influenciar decisões estratégicas da Suécia nos próximos anos.
A iniciativa isolada da Suécia ocorre em meio a dois programas conjuntos europeus, o GCAP, que reúne Reino Unido, Itália e Japão, e o FCAS, com França, Alemanha e Espanha como sócios. Este projeto, no entanto, passa por incertezas devido ao posicionamento da fabricante Dassault, que condiciona sua participação à liderança do programa.
O governo sueco chegou a se aproximar do Reino Unido durante a fase embrionária que levou à criação do GCAP, mas acabou deixando a potencial parceria. Por outro lado, a Saab assinou um acordo com a Airbus para explorar a tecnologia CCA.
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