O Centro de Computação da Aeronáutica de São José dos Campos (CCA-SJ) finalizou a entrega de um cenário antártico para o simulador de voo da aeronave C-105 Amazonas, instalado na Base Aérea de Manaus (BAMN). O projeto, conduzido pela Subdivisão de Simuladores (SDSM), visa aprimorar a preparação da Força Aérea Brasileira (FAB) para missões nas regiões polares, ampliando o realismo das operações em ambientes com condições climáticas severas.

A atualização do simulador inclui a pista do Aeródromo Teniente Rodolfo Marsh Martin (SCRM), localizado na Ilha Rei George, na Antártica, além do Aeroporto Internacional de Punta Arenas (SCCI), no Chile, que serve como principal base logística para a FAB no continente gelado.

Essa integração permite o treinamento de voos completos entre as duas localidades, o que é fundamental para missões que envolvem transporte, suprimento e evacuação aeromédica na região.

Segundo a FAB, o cenário incorpora dois perfis climáticos distintos, correspondentes ao inverno e verão antártico. Assim, os pilotos podem treinar em condições que simulam nevascas, baixa visibilidade, pistas escorregadias, temperaturas extremas e ventos intensos, bem como em situações com clima mais ameno e maior luminosidade, características do verão. Essa funcionalidade é importante para a adaptação das tripulações às diferentes fases operacionais na Antártica.

O simulador e o cenário no extremo sul (FAB)
O simulador e o cenário no extremo sul (FAB)

O C-105 Amazonas é aeronave de transporte médio utilizada pela FAB e que fica num patamar de capacidade abaixo do KC-390 Millennium,

O bimotor tem seu desempenho influenciado por fatores ambientais, como o comportamento dos fluidos em baixas temperaturas e os desafios de pousos em pistas contaminadas ou com vento cruzado. Segundo o Capitão Aviador Adriel Araújo Ribeiro Nunes, do Quadro Técnico Antártico do 1º/9º Grupo de Aviação (Esquadrão Arara), o treinamento no simulador foi essencial para compreender essas particularidades e aplicar os conhecimentos durante as missões reais.

O projeto integra requisitos operacionais estabelecidos pelo Comando de Preparo (COMPREP) e contou com a coordenação do Comando-Geral de Apoio (COMGAP) e da Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI). Além de contribuir para a segurança e eficácia das operações, o uso do simulador proporciona economia de recursos e redução de riscos ao permitir que as tripulações treinem exaustivamente em um ambiente controlado antes das missões na região polar.

Conforme destacado pelo Coronel Aviador Rodrigo Araújo Freire, chefe do CCA-SJ, “entregamos uma ferramenta robusta, adaptada às necessidades operacionais da FAB, contribuindo diretamente para a prontidão e a segurança das missões na Antártica”. A conclusão do cenário reforça o papel do CCA-SJ no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o preparo operacional da Força Aérea Brasileira em diferentes ambientes.