Após semanas de tensão, a Embraer acabou poupada da tarifa de 50% lançada pelo governo Trump sobre bens importados do Brasil e que ameaçava destruir o bom momento vivido pela fabricante.
E, a despeito dos esforços da própria empresa em convencer oficiais a não incluir aeronaves em sua medida, o peso do lobby das companhias aéreas regionais dos EUA teria sido decisivo para reverter esse quadro.
Empresas como Envoy Air, Piedmont Airlines e Republic Airways enviaram cartas ao Departamento de Comércio alertando que a tarifa colocaria em risco o transporte aéreo regional no país, disse a Reuters.
O argumento é mais do que simples: o jato E175, que elas operam, é hoje o único da categoria disponível no mercado após o fim da produção dos modelos CRJ e do cancelamento do programa SpaceJet, da Mitsubishi.

A aeronave brasileira é a única que atende a cláusula de escopo acertada entre as grandes companhias aéreas dos EUA e o sindicato de tripulantes e que limita a operação de aviões com até 76 assentos e 86.000 libras de peso máximo de decolagem em rotas regionais.
Portanto, inviabilizar a venda desses jatos colocaria em risco as malhas de voos em pequenas cidades do país.
Risco para 3.000 empregados nos EUA
A Embraer tem mais de 200 pedidos pendentes de entrega do E175, quase todos de companhias aéreas dos EUA. Somente a American Airlines tem 90 aeronaves encomendadas enquanto a SkyWest, outros 60 jatos – a empresa aérea havia dito recentemente que não assumiria o ônus de pagar os 50% de tarifa.

Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, também levou às autoridades dos EUA informações sobre o impacto da medida em cerca de 3.000 empregos da fabricante no país, além de reflexos negativos para seus fornecedores norte-americanos.
A empresa brasileira ainda tem no país o maior mercado de sua bem sucedida linha de jatos de negócios, com 70% dos pedidos, boa parte deles de aeronaves montadas nos EUA.
O alívio nas tarifas (que ficaram restritas a 10% anteriormente anunciados) fez as ações da Embraer dispararem nas bolsas de valores de Nova York e de São Paulo.
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