O Comando de Operações Especiais dos EUA (SOCOM) decidiu reduzir a aquisição do OA-1K Skyraider II e ampliar o investimento em sistemas não tripulados baseados no MQ-9 Reaper, conforme o pedido orçamentário para o ano fiscal de 2027.

Agora, o comando prevê adquirir 53 aeronaves OA-1K, número inferior às 62 previstas anteriormente e bem abaixo da demanda inicial de 75 unidades no programa Armed Overwatch. O ritmo de aquisição também será menor no curto prazo, com apenas duas aeronaves solicitadas para 2027, contra seis em 2026 e 12 em 2025.

O OA-1K tem como base o Air Tractor AT-802, monomotor adaptado para uso militar pela L3Harris Technologies após vencer a concorrência do Armed Overwatch em 2022. O programa buscava uma plataforma de baixo custo para missões de ataque leve, apoio aéreo aproximado e inteligência, especialmente em cenários de combate à insurgência.

A escolha de uma aeronave agrícola modificada em vez de um projeto militar dedicado gerou críticas, sobretudo diante da mudança das prioridades de defesa dos EUA para ambientes mais sensíveis. Uma avaliação do Government Accountability Office em 2023 sugeriu que o tamanho da frota poderia ser reduzido conforme as necessidades evoluíssem.

O SOCOM afirma que a redução mais recente representa uma realocação de recursos, e não uma alteração formal na demanda de longo prazo do programa, que permanece em 75 aeronaves, segundo a Air Forces & Space Magazine.

MQ-9 Reaper sobre o Afeganistão (USAF)
MQ-9 Reaper sobre o Afeganistão (USAF)

Paralelamente, o comando amplia iniciativas para usar o MQ-9 como elemento central nas operações com drones. Pelo conceito Adaptive Airborne Enterprise, o Reaper atuaria como uma “nave-mãe” controlando grupos de sistemas não tripulados menores voltados para vigilância, comunicações e apoio à designação de alvos.

O orçamento do programa MQ-9 deve chegar a US$ 75,8 milhões em 2027, mais que o triplo do ano anterior, com parte significativa destinada à integração dos chamados efeitos lançados do ar e outros drones de pequeno porte.

Esses sistemas incluem aeronaves não tripuladas dos Grupos 2 e 3, que vão desde drones leves de vigilância até plataformas maiores com assinaturas eletromagnéticas reduzidas. O SOCOM pretende adquirir cerca de 100 desses sistemas para operar junto aos MQ-9, formando redes distribuídas que ampliam as capacidades de sensoriamento e comunicação em ambientes contestados.