A Spirit Airlines apresentou novo pedido de proteção contra falência sob o Capítulo 11 nos Estados Unidos nesta sexta-feira, 29, menos de um ano após ter recorrido ao mesmo mecanismo.

A companhia aérea de ultra baixo custo sediada na Flórida pretende dar continuidade às operações enquanto conduz uma segunda reestruturação supervisionada pelo Tribunal de Falências de Nova York.

A Spirit informou que o objetivo do pedido é viabilizar mudanças estruturais e operacionais que permitam garantir sua sustentabilidade futura. Entre as medidas planejadas estão o redesenho de sua rede de rotas, com a adição de novos destinos e frequências, além da saída de mercados considerados pouco rentáveis.

Na primeira reestruturação, iniciada em novembro de 2024 e concluída em março deste ano, a Spirit havia reduzido sua dívida em cerca de US$ 795 milhões, convertidos em capital próprio, e obteve um aporte de US$ 350 milhões de investidores existentes.

Apesar dessas ações, analistas do setor apontam que os ajustes não foram suficientes diante do cenário altamente competitivo e da pressão sobre tarifas no segmento de baixo custo.

A empresa mantém uma estrutura de custos elevada: as despesas operacionais somaram US$ 1,2 bilhão, representando 118% da receita trimestral. Após o fracasso da proposta de fusão com a JetBlue Airways, vetada por decisão judicial, a Spirit enfrenta dificuldades adicionais, como excedente de assentos de tarifas econômicas e concorrência intensificada.

Airbus A320 da Frontier Airlines (Frontier Airlines)
Airbus A320 da Frontier Airlines (Frontier Airlines)

A Spirit opera uma frota de 195 jatos composta por aeronaves da família Airbus A320, configuradas em alta densidade para maximizar a oferta de assentos e viabilizar o modelo de tarifas ultrabaixas. Esse modelo, porém, tem encontrado obstáculos desde a pandemia da COVID-19, que alterou padrões de demanda e pressionou margens das empresas do segmento.

Durante o processo de falência, a companhia informou que pretende manter salários, benefícios e obrigações com fornecedores, visando preservar a continuidade das operações e evitar impactos diretos aos passageiros. O anúncio do novo pedido de proteção resultou em queda de 44% no valor das ações da companhia, que prevê sua remoção da Bolsa de Valores.

No mercado, concorrentes como a Frontier Airlines têm aproveitado o momento para ampliar presença em rotas anteriormente operadas pela Spirit. Especialistas observam que a reestruturação pode levar a consolidações e mudanças no perfil competitivo do setor aéreo norte-americano.