A companhia aérea norte-americana Spirit Airlines está em negociações com o fundo de investimentos alternativos Castlelake para uma possível aquisição, enquanto busca uma saída para sua crise financeira sob proteção do Chapter 11, segundo a CNBC.
A empresa entrou com pedido de recuperação judicial em agosto do ano passado, marcando a segunda vez em um intervalo de um ano, após um plano anterior de reestruturação não conseguir estabilizar suas finanças. Desde então, a Spirit vem avaliando diferentes caminhos para reorganizar suas operações ou viabilizar uma transação estratégica.
As conversas com a Castlelake ocorrem após anos de tentativas frustradas de consolidação. A também companhia de baixo custo Frontier Airlines manteve negociações recorrentes com a Spirit ao longo dos anos, inclusive recentemente, mas não chegou a um acordo. Um entendimento firmado entre as duas há quatro anos acabou desfeito após uma oferta inesperada da JetBlue, posteriormente barrada por um juiz federal dos Estados Unidos por motivos antitruste.
Com sede em Minneapolis, a Castlelake atua há anos no financiamento do setor de aviação e, em agosto, lançou uma nova plataforma dedicada ao segmento, a Merit AirFinance, com cerca de US$ 1,8 bilhão disponíveis para investimento. Ainda não está claro se a Spirit, seus credores e o fundo chegarão a um acordo, nem qual formato uma eventual transação poderia assumir.
No âmbito do processo de recuperação judicial, a Spirit obteve novos recursos de curto prazo junto a credores, incluindo uma injeção de US$ 50 milhões aprovada em dezembro. A companhia informou que financiamentos adicionais dependerão do avanço de um plano de reorganização independente ou da concretização de uma operação estratégica.

Para reduzir custos, a Spirit cortou voos, diminuiu sua frota e reduziu o quadro de funcionários. Sindicatos concordaram no ano passado com cortes salariais para pilotos e comissários de bordo, totalizando cerca de US$ 100 milhões em concessões, como forma de apoiar a reestruturação e evitar a liquidação da empresa.
Após anos de relativa estabilidade em um mercado historicamente volátil, a situação da Spirit se deteriorou no pós-pandemia. O aumento dos custos trabalhistas e operacionais, mudanças no perfil da demanda e a forte concorrência no mercado doméstico pressionaram as tarifas, afetando especialmente companhias focadas nos Estados Unidos e sem receitas relevantes com cabines premium ou programas de fidelidade.
Os problemas se agravaram a partir de 2023, quando um recall de motores Pratt & Whitney deixou dezenas de aeronaves Airbus da companhia fora de operação. Ao mesmo tempo, o bloqueio da aquisição pela JetBlue eliminou uma alternativa relevante de saída.
Nos últimos anos, a Spirit tentou atrair passageiros dispostos a pagar mais por meio de tarifas combinadas e assentos com mais espaço, mas essas iniciativas ainda não foram suficientes para compensar os desafios estruturais enfrentados pela empresa.
Aviação Comercial

