Menos de cinco meses após deixar o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, a Spirit Airlines voltou a acender o alerta sobre seu futuro. A companhia norte-americana, conhecida pelo modelo “ultra-low-cost” e pelas aeronaves pintadas de amarelo vibrante, admitiu em seu relatório do segundo trimestre que existem “dúvidas substanciais” sobre a capacidade de manter as operações pelos próximos 12 meses.

O novo revés ocorre em meio a um cenário doméstico desfavorável. O excesso de oferta de assentos e a demanda enfraquecida para viagens de lazer pressionaram tarifas e margens, dificultando a recuperação da empresa.

Para preservar caixa, a Spirit anunciou o afastamento temporário de cerca de 270 pilotos, a reclassificação de outros 140 e a venda de ativos, como aeronaves, imóveis e direitos de uso de portões em aeroportos.

Outro desafio veio de sua processadora de cartões de crédito, que exigiu aumento das garantias financeiras, com risco de encerrar o contrato no fim do ano. Analistas alertam que as exigências de liquidez impostas pelos credores demandam uma recuperação mais rápida do que a prevista, elevando a incerteza.

A321neo da Spirit Airlines
A321neo da Spirit Airlines

Boa parte da frota de A320neo no chão

A Spirit foi a primeira grande aérea dos EUA a entrar com pedido de falência (Capítulo 11) desde 2011, após anos de prejuízos e tentativas de fusão frustradas, incluindo a negociação com a JetBlue. A saída do processo em março trouxe esperança de retomada, mas a nova advertência fez as ações despencarem mais de 40% na Bolsa de Nova York.

A companhia aposta em ajustes de modelo de negócios, como a introdução de uma cabine “premium economy”, para tentar reconquistar passageiros e reforçar a receita. Ainda assim, seu horizonte financeiro continua sob forte turbulência — e os próximos meses serão decisivos para determinar se a Spirit conseguirá manter-se nos céus.

A Spirit possui uma frota de 195 aeronaves, todas fornecidas pela Airbus, incluindo 141 A320 (91 das quais são da versão Neo) e 54 A321 (32 dos quais são A321neos).

A companhia aérea, no entanto, está enfrentando sérios problemas para manter a frota voando, por conta da indisponibilidade dos motores Pratt & Whitney GTF. Quase 40 dos A320neos estavam em solo desde o início de agosto, de acordo com o Planespotters.