Mais de 3.200 trabalhadores da Boeing, responsáveis pela montagem de aeronaves militares como os caças F-15EX, F/A-18 Super Hornet, o drone MQ-25 Stingray e o treinador T-7A Red Hawk, entraram em greve nesta segunda-feira (4), após rejeitarem pela segunda vez uma proposta de contrato coletivo.
Os funcionários estão distribuídos nas unidades de St. Louis e St. Charles, no Missouri, e em Mascoutah, Illinois.
A paralisação ocorre após uma votação considerada “massivamente contrária” à proposta revisada apresentada pela Boeing em 31 de julho. O novo contrato previa um aumento salarial geral de 20%, ganhos médios de até 40% na remuneração total, bônus de US$ 5.000 por assinatura, ampliação de férias, aumento nos benefícios previdenciários e abono anual de assiduidade. A proposta também retirava uma cláusula polêmica que previa mudanças no modelo semanal de trabalho.
Apesar das concessões, os membros do sindicato IAM District 837 decidiram manter a greve. “Eles merecem um contrato que reflita seu valor e o papel crítico que desempenham na defesa nacional”, afirmou o representante sindical Tom Boelling.

A Boeing informou estar preparada para a paralisação e já acionou um plano de contingência com trabalhadores não sindicalizados para manter a produção. O vice-presidente da empresa e gerente das instalações de St. Louis, Dan Gillian, lamentou o impasse: “Estamos decepcionados. A proposta oferecia crescimento salarial expressivo e melhores condições”.
O CEO da Boeing, Kelly Ortberg, minimizou o impacto da greve, afirmando que a escala é bem menor do que a paralisação de 53 dias em 2024, quando 33 mil funcionários da aviação comercial cruzaram os braços. “Vamos saber lidar com isso”, disse Ortberg em conferência de resultados trimestrais.
A greve ocorre em um momento delicado para a divisão de defesa da Boeing, que está ampliando as instalações em St. Louis após vencer o contrato do novo caça F-47A da Força Aérea dos EUA. A paralisação pode atrasar entregas e impactar programas estratégicos.
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