O Departamento de Defesa dos Estados Unidos está estudando novos caças para reforçar o desenvolvimento do Boeing F-47, fruto do programa NGAD, afirmou o presidente Donald Trump.

Em discurso feito nesta quinta-feira, 15, em Doha, no Catar, o republicano até mesmo menciounou uma nova designação, F-55, para o que seria uma variante de dois motores do F-35.

Trump também prometeu um “Super F-22”, ou como ele chamou, uma versão “muito moderna” do Raptor, da Força Aérea.

As palavras do presidente dos EUA causaram surpresa entre especialistas afinal nenhum desses projetos parece fazer sentido.

Presidente dos EUA Donald Trump (Casa Branca)
Presidente dos EUA Donald Trump (Casa Branca)

“Vou chamá-lo de F-55, e isso será uma atualização substancial, mas também terá dois motores, porque o F-35 tem um único motor, eu não gosto de motores únicos”, disse Trump, para espanto geral.

Uma variante bimotor do F-35 é um projeto complexo já que acomodar um segundo turbofan significa mudar profundamente sua estrutura, entre outros aspectos.

A Lockheed Martin, de fato, prometeu criar uma variante avançada do Ligthning II capaz de fazer 80% do F-47 por um preço bem mais baixo, mas não parece que isso seria obtido com dois motores.

Caça F-22 com os motores F119 em pós-combustão
Caça F-22 com os motores F119 em pós-combustão

Alternativa ao F/A-XX?

Sobre o F-22 atualizado, mais dúvidas. O primeiro caça de 5ª geração do mundo foi desenvolvido nos anos 90 e seria custoso imaginar que uma retomada de produção valesse a pena.

Para alguns observadores, Trump pode ter se confundido com programas conhecidos como a já citada atualização do F-35 e a instalação de novos sensores no F-22.

Há quem aponte que o F-55 poderia ser uma alternativa ao F/A-XX, novo caça da Marinha dos EUA.

Programa F/A-XX da Marinha dos EUA perto de ter vencedor anunciado
Programa F/A-XX da Marinha dos EUA perto de ter vencedor anunciado

Atualmente, Boeing e Northrop Grumman disputam a concorrência para substituir os F/A-18E/F Super Hornet como uma aeronave de 6ª geração, mas a Marinha encontrou resistências no Pentágono, que não vê recursos financeiros e capacidade produtiva para isso.

Uma aeronave baseada no F-35 poderia suprir essa lacuna de uma forma mais barata e rápida, ao menos em tese. E também ocuparia a Lockheed Martin, que está fora dos três grandes programas de aeronaves avançadas dos EUA (NGAD, F/A-XX e o B-21).