O governo Trump solicitou mais de US$ 5 bilhões no orçamento do ano fiscal de 2027 para apoiar o desenvolvimento do Boeing F-47, caça de sexta geração da Força Aérea dos EUA, dentro do programa Next Generation Air Dominance (NGAD).

O pedido de financiamento confirma a prioridade do atual governo em relação a Força Aérea, com a Casa Branca pedindo desenvolvimento acelerado e eventual produção da aeronave. Combinado com alocações anteriores, o financiamento total para o programa se aproxima de US$ 8,5 bilhões.

O F-47 continua no cronograma para um primeiro voo em 2028, de acordo com documentos orçamentários, enquanto o Pentágono se esforça para colocar a nova plataforma em operação nos próximos anos. A Boeing garantiu o contrato do NGAD em 2025, superando a Lockheed Martin.

A aeronave é projetada para operar como uma plataforma de comando tripulada capaz de controlar aeronaves autônomas de combate colaborativo (CCA), que realizarão missões como coleta de inteligência, guerra eletrônica e operações de ataque. Este conceito permite que o caça permaneça a uma distância mais segura de áreas contestadas enquanto coordena ativos à frente.

Projeção artística do caça Boeing F-47 (USAF)
Projeção artística do caça Boeing F-47 (USAF)

As metas de desempenho incluem velocidades em torno de Mach 2 e um raio de combate superior a 1.200 milhas náuticas, aproximadamente o dobro das variantes atuais do F-35. Espera-se também que a aeronave incorpore tecnologia de motor adaptativo, recursos avançados de stealth e inteligência artificial embarcada para gerenciar dados de sensores e priorizar ameaças.

Marinha continua em segundo plano

Enquanto o programa da Força Aérea avança com forte apoio financeiro, o programa equivalente da Marinha dos EUA, conhecido como F/A-XX, continua enfrentando incertezas.

A proposta orçamentária de 2027 aloca apenas US$ 140 milhões para o programa da Marinha, uma queda acentuada em relação aos cerca de US$ 1,7 bilhão garantidos em 2026 após intervenção do Congresso.

A Casa Branca argumentou que buscar dois caças de sexta geração paralelos poderia sobrecarregar a base industrial e atrasar o F-47, que tem maior prioridade, no entanto, a Força Aérea opera um caça furtivo há vários, o F-22 Raptor, enquanto a Marinha segue dependendo de jatos de 4ª geração – as duas forças têm o F-35, jato de 5ª geração, mas de menor capacidade e desempenho.

Projeção revela parcialmente proposta da Northrop Grumma para o F/A-XX (Northrop Grumman)
Projeção revela parcialmente proposta da Northrop Grumma para o F/A-XX (Northrop Grumman)

A Boeing e a Northrop Grumman são consideradas as principais concorrentes para o contrato do F/A-XX, mas o programa ainda não avançou no mesmo ritmo da iniciativa da Força Aérea.

O F-47 deve eventualmente substituir o F-22, embora ambas as aeronaves provavelmente operem juntas por algum tempo. Os demonstradores atuais do NGAD desenvolvidos pela Boeing e Lockheed Martin supostamente estão voando desde 2020, acumulando dados significativos de testes antes do programa formal.

Os planos atuais indicam que a Força Aérea pode adquirir pelo menos 185 aeronaves F-47. As estimativas de custo por unidade permanecem altas, com projeções em torno de US$ 300 milhões por jato.