O Vietnã pode se tornar um dos próximos clientes do caça Rafale, fabricado pela francesa Dassault Aviation, em meio a um movimento para reduzir a dependência histórica de equipamentos russos.
A informação foi revelada pela revista francesa L’Express, que afirmou que um piloto vietnamita já teve a oportunidade de voar no Rafale e que um destacamento da Força Aérea Francesa, operando o modelo, realizou uma escala no país asiático em 2018.
Um eventual contrato teria forte peso histórico. A França ocupou o território vietnamita até 1945, quando ainda fazia parte da Indochina Francesa, período encerrado com a declaração de independência do país. Uma venda do Rafale ocorreria mais de sete décadas após o fim desse ciclo, representando uma mudança relevante nas relações militares entre os dois países.
Atualmente, a espinha dorsal da aviação de combate do Vietnã é formada por cerca de 45 caças Su-27 e Su-30, ambos de origem russa. A frota ainda inclui aeronaves mais antigas, como os Su-17 e Su-22, hoje considerados obsoletos para cenários de combate modernos. A formação de pilotos e funções secundárias são realizadas com treinadores a jato L-39NG e Yak-130.
O Rafale surge como uma opção ocidental de múltiplas funções, capaz de substituir gradualmente os aviões mais antigos sem a retirada imediata dos Su-30 de serviço. A avaliação ocorre de forma discreta e envolve contatos técnicos e operacionais, em linha com práticas comuns em processos de aquisição militar.

O interesse vietnamita chama atenção também pelo ambiente regional. A China, principal parceira política e econômica do Vietnã, vem promovendo ativamente o caça J-10CE a países vizinhos como alternativa aos modelos ocidentais. Uma eventual escolha pelo Rafale indicaria a preferência de Hanói por ampliar suas opções de fornecedores, evitando maior dependência de um único eixo estratégico.
Nos últimos anos, o Vietnã tem dado sinais graduais de aproximação com países ocidentais no campo da defesa. Um exemplo recente foi o recebimento de 12 aeronaves Beechcraft T-6C, treinadores turboélice transferidos pelos Estados Unidos para a formação básica de pilotos militares.
No Sudeste Asiático, a Indonésia já firmou contrato para a aquisição de 42 caças Rafale, fortalecendo a presença do modelo francês na região. Caso o Vietnã avance nessa direção, o acordo ampliaria a atuação da Dassault na Ásia e reforçaria a tendência de diversificação de fornecedores observada em Hanói.

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