O voo abortado de um Embraer E195-E2 recém-entregue à Luxair gerou debate público em Luxemburgo após a aeronave retornar ao aeroporto de origem pouco depois da decolagem, nesta segunda-feira, 19 de janeiro.

O jato havia entrado em operação comercial poucos dias após um voo inaugural oficial realizado no sábado. Escalado para um voo regular com destino a Milão, o E195-E2 voltou a Luxemburgo logo após a partida. Na ocasião, a Luxair descreveu a decisão como uma medida de precaução e não apresentou detalhes adicionais.

A repercussão do caso, no entanto, cresceu. O site Luxemburger Wort revelou que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), responsável pela certificação das aeronaves da Embraer, emitiu orientações operacionais para o E195-E2 em condições meteorológicas específicas. Segundo a reportagem, a autoridade indicou que o modelo não deve operar em nevoeiro congelante, com visibilidade inferior a 110 metros, ou em temperaturas abaixo de 3 °C.

De acordo com a ANAC, houve registros de desligamento de compressores em motores Pratt & Whitney PW1100G em situações de nevoeiro congelante, baixa visibilidade e baixas temperaturas durante operações em solo. A agência afirmou que uma investigação sobre o tema está em andamento e alertou que esse tipo de ocorrência pode resultar em perda de empuxo durante a decolagem, caso não haja medidas corretivas.

Motor GTF, da Pratt & Whitney (Embraer)
Motor GTF, da Pratt & Whitney (Embraer)

“Decisão operacional puramente preventiva”

O alerta foi divulgado poucos dias após a Luxair celebrar oficialmente a introdução do E195-E2 em sua frota, com um voo cerimonial para Viena que contou com a presença do CEO da companhia, Gilles Feith, e da ministra dos Transportes de Luxemburgo, Yuriko Backes.

Em nota divulgada na noite de segunda-feira, a Luxair afirmou que o retorno do voo para Milão foi uma “decisão operacional puramente preventiva” e que o episódio não esteve relacionado a qualquer falha de motor ou incidente de segurança. A companhia acrescentou que as limitações citadas pela ANAC fazem parte de um tema mais amplo da indústria envolvendo motores Pratt & Whitney GTF e não são específicas do E195-E2.

Segundo a Luxair, essas restrições se aplicam apenas sob condições meteorológicas muito específicas e são, no conjunto, menos restritivas do que aquelas impostas a outros tipos de aeronaves equipadas com tecnologia de motores comparável. A empresa também observou que motores Pratt & Whitney GTF equipam milhares de aeronaves em operação no mundo, incluindo modelos das famílias Airbus A220 e A320neo.

Primeiro E195-E2 da Luxair, LX-LEA
Primeiro E195-E2 da Luxair, LX-LEA

Feith reforçou essa posição em comentários públicos, afirmando que o E195-E2 foi incluído nas orientações “por similaridade” com outras aeronaves que utilizam a mesma família de motores, embora, segundo ele, não tenha havido ocorrência no jato da Embraer. O executivo classificou o caso como parte do funcionamento normal dos processos de segurança da aviação.

Reportagem separada da emissora RTL indicou que a Luxair reiterou sua confiança no E195-E2 após o episódio. A companhia afirmou que retornos preventivos ao aeroporto de origem são procedimentos rotineiros na aviação comercial e não indicam, necessariamente, falhas técnicas. Os passageiros do voo para Milão foram posteriormente reacomodados em um turboélice Dash 8-400.

A Luxair encomendou seis Embraer E195-E2, com opção de compra de mais três, como parte de seu programa de renovação de frota.