A Airbus está avaliando a implantação de uma linha de montagem final na Índia para aeronaves turboélice ATR, a fim de apoiar a demanda da aviação regional, de acordo com o The Times of India.
O grupo europeu, que possui a ATR em parceria com a italiana Leonardo, realizou discussões com partes interessadas para determinar se a montagem local é viável. Fatores-chave incluem custos operacionais das companhias aéreas, preços de aquisição e a sustentabilidade a longo prazo das rotas regionais apoiadas pelo governo.
A proposta surge à medida que a Índia expande políticas destinadas a melhorar as ligações aéreas com cidades menores. As autoridades recentemente prorrogaram um programa de conectividade regional com subsídios e financiamento para novos aeroportos, buscando estimular a demanda fora dos principais mercados metropolitanos.

A ATR já tem presença na Índia, com a IndiGo, maior companhia aérea do país, operando cerca de 50 turboélices e a companhia regional FLY91 com uma frota de seis aeronaves, mas que deve dobrar em um futuro próximo. O ATR 72, com capacidade para até 78 passageiros, é adequado para rotas de curta distância com menor densidade de tráfego.
Ainda assim, a aviação regional continua a representar uma pequena parte do mercado de transporte aéreo da Índia, que é dominado por serviços domésticos de alta frequência utilizando jatos de fuselagem estreita com mais de 150 assentos. Esse desequilíbrio limitou a adoção em larga escala de turboélices, apesar do apoio das políticas.
A Airbus possui uma presença industrial estabelecida na Índia, incluindo linhas de montagem final para as aeronaves de transporte militar C295 em Vadodara e o helicóptero H125 em Karnataka, ambos desenvolvidos em parceria com a Tata Advanced Systems. A empresa também conta com fornecedores locais para componentes-chave em seus programas comerciais.

Uma potencial linha de montagem da ATR ampliaria essa presença e poderia reduzir os custos de aquisição para as companhias aéreas se apoiada por níveis mais altos de fabricação local. Funcionários do governo incentivaram uma participação industrial mais profunda da Airbus como parte de esforços mais amplos para aumentar a produção aeroespacial doméstica.
O interesse surge após outros fabricantes anunciarem parcerias para viabilizar produção no país. A Embraer delineou planos para montar seu E175 em parceria com a Adani Aerospace, enquanto a United Aircraft Corporation (UAC), da Rússia, firmou acordos com a Hindustan Aeronautics Limited (HAL) envolvendo o jato regional SJ-100. A estatal também vislumbra produzir na Índia o Il-114-300, um rival direto do ATR 72.
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