A Airbus acumulou bilhões de euros em estoques no primeiro trimestre, enquanto gargalos na cadeia de suprimentos — especialmente a falta de motores Pratt & Whitney — continuaram a atrasar as entregas de aeronaves, mesmo com o avanço da produção.
O estoque da empresa atingiu €46,9 bilhões em 31 de março, ante €41,7 bilhões no fim de 2025, um aumento de €5,2 bilhões em apenas três meses, segundo o balanço financeiro trimestral. A Airbus afirmou que o crescimento foi “principalmente impulsionado por trabalhos em andamento para apoiar o aumento de produção e o maior volume de produtos acabados”.
Na prática, isso significa que a Airbus está fabricando aeronaves, peças e componentes em ritmo mais acelerado do que consegue finalizar e entregar às companhias aéreas. Alguns jatos podem estar praticamente montados, mas permanecem pendentes de entrega porque esperam por motores ou outros componentes, imobilizando recursos até que os clientes recebam as aeronaves e efetuem o pagamento final.

O acúmulo coincidiu com uma queda nas entregas. A Airbus entregou 114 aeronaves comerciais no primeiro trimestre, ante 136 no mesmo período do ano anterior.
Entre essas entregas estavam 81 jatos da Família A320neo, 19 aeronaves A220, 11 A350 e três A330neo. A receita da aviação comercial caiu 11% em relação ao ano anterior, para €8,4 bilhões.
O EBIT ajustado da divisão de aeronaves comerciais despencou 84%, de €494 milhões no primeiro trimestre de 2025 para €81 milhões. O EBIT reportado da divisão caiu de €451 milhões para apenas €1 milhão.
EBIT é uma medida do lucro operacional antes de juros e impostos, e a queda evidencia o enfraquecimento da rentabilidade no principal negócio da Airbus. Em termos simples, a empresa vendeu menos aeronaves, mas continuou arcando com os custos fixos de manter linhas de produção, fábricas e fornecedores.

A Airbus afirmou que a Pratt & Whitney segue como principal obstáculo para aumentar a produção da família A320neo.
Meta mantida
A empresa ainda projeta atingir uma taxa de produção de 70 a 75 aeronaves da família A320neo por mês até o fim de 2027, mas destacou que a Pratt & Whitney “continua sendo o principal limitador do ritmo de aumento de produção”, impactando tanto 2026 quanto 2027.
A desaceleração nas entregas também pressionou fortemente a geração de caixa.
O fluxo de caixa livre antes do financiamento a clientes ficou negativo em €2,5 bilhões no trimestre, ante resultado negativo de €310 milhões um ano antes.
O fluxo de caixa livre indica quanto dinheiro a empresa gera após cobrir despesas operacionais e de investimento. Valor negativo significa que mais recursos saem do que entram. No caso da Airbus, a deterioração reflete aeronaves em produção que ainda não foram entregues, adiando pagamentos de clientes e deixando mais capital imobilizado em estoques inacabados.
Apesar dessas pressões, a Airbus manteve a projeção para o ano de cerca de 870 entregas de aeronaves comerciais, EBIT ajustado de aproximadamente €7,5 bilhões e fluxo de caixa livre antes do financiamento a clientes em torno de €4,5 bilhões.
O CEO Guillaume Faury afirmou que a Airbus segue operando em um ambiente “dinâmico e complexo”, monitorando riscos geopolíticos, incluindo tensões no Oriente Médio.
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