A Boeing revelou que cerca de 30 jatos 777X já fabricados precisarão de modificações antes de serem entregues aos clientes, em meio à evolução dos testes e o atraso na certificação do programa.

Falando durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre da empresa na quarta-feira,  22, o CEO Kelly Ortberg disse que a Boeing criou uma equipe dedicada para lidar com o que chama de “incorporação de mudanças” em aeronaves concluídas enquanto a fabricante se prepara para colocar a versão 777-9 em serviço em 2027.

“Temos aproximadamente 30 777 que passarão por esse processo de incorporação de mudanças ao longo de vários anos”, disse Ortberg durante a chamada.

O executivo explicou que o trabalho envolve atualizar aeronaves fabricadas anos atrás com mudanças de projeto introduzidas durante os testes de voo, atividades de certificação e melhorias de produção.

“Para os aviões que fabricamos, [precisamos] incorporar todas as mudanças que ocorreram desde que eles foram finalizados”, afirmou.

Avião de teste Boeing 777-9
Avião de teste Boeing 777-9

De acordo com Ortberg, aeronaves mais antigas exigirão um trabalho mais extenso, incluindo modificações estruturais, enquanto jatos produzidos mais recentemente passarão por atualizações menores.

“Quanto mais velha a aeronave, mais incorporação de mudanças e mais alterações relacionadas à estrutura são necessárias, e isso levará mais tempo”, disse ele.

A Boeing planeja trazer todas as aeronaves armazenadas para uma configuração comum antes de aplicar as modificações finais, o que a empresa acredita que irá agilizar o processo antes das entregas.

Os comentários oferecem uma rara visão sobre o inventário que a Boeing acumulou durante anos de atrasos que afetaram o programa 777X, que originalmente deveria entrar em serviço em 2020.

Renderizações do Boeing 777-9 da Emirates
Renderizações do Boeing 777-9 da Emirates

Durante a mesma teleconferência de resultados, Ortberg disse que a Boeing recebeu recentemente a aprovação da FAA para a próxima fase de certificação conhecida como TIA 4a, que inclui testes de congelamento natural.

A empresa também aguarda a aprovação para o TIA 4b, que Ortberg descreveu como um pacote de certificação maior.

A Boeing continua a almejar as primeiras entregas do 777-9 em 2027, apesar de um problema de durabilidade envolvendo o motor GE9X. Ortberg disse que o fornecedor GE Aerospace identificou a causa raiz e está finalizando uma solução enquanto permite que os testes de voo continuem.