A Boeing identificou um novo problema de durabilidade envolvendo os motores GE9X, da GE Aerospace, que equipam o 777-9, a primeira versão da família 777X. A descoberta ocorreu durante inspeções recentes e se soma a uma série de desafios técnicos que já atrasaram significativamente o desenvolvimento e a certificação da aeronave.

Segundo a Boeing, o problema foi detectado durante uma inspeção em um dos motores utilizados no programa de testes do 777-9. A empresa informou que está trabalhando em conjunto com a GE Aerospace para compreender melhor a origem da falha e definir as ações corretivas necessárias. Apesar disso, a fabricante afirma que o cronograma atual não deve ser impactado e que a primeira entrega segue prevista para 2027.

“Identificamos um possível problema de durabilidade durante uma inspeção recente no motor do 777-9 e estamos trabalhando com a GE para entender melhor a questão e finalizar a análise de causa raiz e a ação corretiva”, afirmou o CEO da Boeing, Kelly Ortberg, durante a teleconferência de resultados da companhia. “É importante destacar que, enquanto tratamos esse tema, seguimos com os voos de certificação e não esperamos impacto na entrega em 2027.”

O 777X na versão -9 (Boeing)
O 777X na versão -9 (Boeing)

A Boeing não detalhou a natureza exata do problema, e a GE Aerospace informou apenas que mantém um programa de inspeções em motores instalados em aeronaves para apoiar o fabricante durante a análise e a definição das medidas corretivas, dentro de seus processos de segurança e qualidade.

O GE9X é atualmente o maior motor turbofan já certificado, com empuxo máximo de cerca de 105.000 lbf, e foi desenvolvido especificamente para o 777-9. Ao longo dos últimos anos, o programa enfrentou diversos contratempos técnicos relacionados ao motor e à integração com a aeronave.

Em 2024, a Boeing chegou a suspender os voos de teste do 777-9 por cerca de cinco meses após a identificação de falhas em componentes estruturais conhecidos como thrust links e que exigiu mudanças de projeto para eliminar vibrações consideradas excessivas.

Antes disso, em 2022, os testes de voo também haviam sido interrompidos após a detecção de um problema relacionado à temperatura do GE9X durante uma inspeção. Já em 2019, questões de durabilidade em palhetas do compressor de alta pressão do motor resultaram em novos atrasos no cronograma do programa.

Boeing 777-9 em testes (Boeing)
Boeing 777-9 em testes (Boeing)

Apesar do novo alerta, a Boeing afirma que o processo de certificação do 777-9 continua avançando. No quarto trimestre de 2025, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos autorizou o início da terceira fase do Type Inspection Authorization (TIA), etapa de testes voltada principalmente aos sistemas aviônicos, de controle ambiental e à unidade auxiliar de potência da aeronave.

O programa 777-9 é considerado estratégico para a Boeing no segmento de jatos de grande porte, mas segue sob forte escrutínio regulatório após os problemas enfrentados em outros programas da empresa. A FAA, nos últimos anos, passou a aprovar as fases de certificação de forma mais gradual, em vez de conceder autorizações completas de uma só vez.

A revelação do novo problema no GE9X ocorreu no mesmo dia em que a Boeing divulgou seus resultados financeiros de 2025. A empresa encerrou o ano com lucro líquido de US$ 2,2 bilhões e receita de US$ 89,5 bilhões, impulsionada pelo aumento nas entregas de aeronaves e pela retomada gradual da produção, após anos de desempenho financeiro negativo.