A Boeing encerrou 2025 com retorno ao lucro líquido, registrando ganho de US$ 2,2 bilhões após ter apresentado um prejuízo de US$ 11,8 bilhões no ano anterior. A receita alcançou US$ 89,5 bilhões, alta de 34% na comparação anual, no melhor desempenho de faturamento da companhia desde 2018. O fluxo de caixa operacional também voltou ao campo positivo, somando US$ 1,1 bilhão no ano, ante uma saída de US$ 12,1 bilhões em 2024.

A melhora foi impulsionada principalmente pelo aumento das entregas de aeronaves e por um ganho pontual relacionado à venda de parte do negócio de Digital Aviation Solutions. Ainda assim, o fluxo de caixa livre permaneceu negativo em US$ 1,9 bilhão, em razão de investimentos e os custos associados à estabilização da produção.

A divisão Commercial Airplanes gerou US$ 41,5 bilhões em receita em 2025, apoiada por 600 aeronaves entregues, o maior total anual em sete anos. Apesar do aumento de volume, o segmento registrou prejuízo operacional de US$ 7,1 bilhões, em razão do impacto financeiro de ineficiências produtivas, atividades de certificação e da integração da Spirit AeroSystems, adquirida em dezembro.

USAF 100ª KC-46A Pegasus
USAF 100ª KC-46A Pegasus

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Dentro do portfólio comercial, o programa 737 elevou a produção para 42 aeronaves por mês no quarto trimestre, enquanto a Boeing recebeu autorização para iniciar a fase final de testes de certificação do 737-10.

O 787 avançou para uma cadência próxima de oito aviões por mês, e o 777X entrou na terceira fase de testes de certificação do 777-9, com a primeira entrega ainda prevista para 2027. A carteira de pedidos comerciais atingiu nível recorde, com mais de 6.100 aeronaves, avaliadas em US$ 567 bilhões.

A unidade Boeing Defense, Space & Security registrou receita anual de US$ 27,2 bilhões e reduziu o prejuízo operacional para US$ 128 milhões, frente a uma perda de US$ 5,4 bilhões em 2024. O desempenho continuou afetado por encargos no programa do avião-tanque KC-46A, embora a divisão tenha conquistado novos pedidos da aeronave e do helicóptero AH-64E Apache.

Além disso, a fabricante entregou o primeiro jato de treinamento operacional T-7A Red Hawk à Força Aérea dos Estados Unidos. A carteira de pedidos do segmento subiu para US$ 85 bilhões, com mais de 25% provenientes de clientes fora dos EUA.

T-7A Red Hawk da Força Aérea dos EUA
T-7A Red Hawk da Força Aérea dos EUA

A área de Global Services faturou US$ 20,9 bilhões em 2025. O resultado foi fortemente influenciado pelo ganho de US$ 9,6 bilhões com a venda do Digital Aviation Solutions, que elevou significativamente as margens. Excluída essa transação, a atividade de serviços permaneceu estável, sustentada por contratos de suporte de longo prazo com clientes governamentais e comerciais. A divisão encerrou o ano com carteira de pedidos de US$ 30 bilhões.

Ao final de 2025, a Boeing detinha US$ 29,4 bilhões em caixa e títulos negociáveis, ante US$ 23,0 bilhões no fim do terceiro trimestre. A dívida totalizou US$ 54,1 bilhões, ligeiramente maior após a aquisição da Spirit AeroSystems.

Apesar do retorno à lucratividade, a companhia segue enfrentando desafios estruturais em suas operações industriais, enquanto trabalha para recuperar a estabilidade produtiva e fortalecer sua posição financeira.