A Boeing espera que sua divisão de aviões comerciais retorne à lucratividade apenas em 2027 e não neste ano. Entre as causas estão os custos superiores ao esperado relacionados à aquisição da Spirit AeroSystems.

A revisão foi anunciada nesta semana e aponta para pressão financeira sobre o negócio principal da Boeing, que deve registrar uma perda de margem operacional de cerca de 7,5% a 8% no primeiro trimestre. A divisão reportou perdas anuais nos últimos anos incluindo US$ 632 milhões em 2025 e US$ 2,1 bilhões em 2024.

Apesar disso, a Boeing mantém os planos de aumentar a produção do programa 737 MAX, fonte chave de seu fluxo de caixa. A produção deve aumentar de cerca de 42 aeronaves por mês para 47 até o final do ano, com entregas totais de aproximadamente 500 unidades em 2026.

Interrupções de curto prazo afetaram as entregas, incluindo danos na fiação em cerca de 25 aeronaves. O problema exigiu retrabalho adicional, mas não deve impactar as metas de entrega para o ano completo.

A Boeing também está priorizando a certificação dos modelos 737 MAX 7, 737 MAX 10 e o 777-9, este último o primeiro do programa 777X. Ao mesmo tempo, a empresa descartou o lançamento de um novo jato comercial no curto prazo, citando limitações tecnológicas, fabricação e demanda das companhias aéreas.

Boeing 737 MAX 8 da GOL (DINAC)
Boeing 737 MAX 8 da GOL (DINAC)

A produção de jatos de fuselagem larga também enfrenta restrições. As entregas do 787 Dreamliner devem totalizar cerca de 15 aeronaves no primeiro trimestre, abaixo das expectativas anteriores de 20, em grande parte devido a atrasos na certificação de assentos de cabine premium.

A Boeing ainda visa aumentar a produção do 787 de oito para 10 aeronaves por mês até o final de 2026, apoiada por trabalhos de expansão em andamento em sua instalação de montagem em North Charleston.

Em todos os seus programas, a fabricante continua a monitorar as pressões da cadeia de suprimentos, particularmente envolvendo motores. O aumento da demanda por peças de reposição e ciclos de manutenção mais longos para modelos de motores mais novos têm pressionado a disponibilidade, complicando os esforços para acelerar a produção.