A Embraer e a Adani Defence & Aerospace confirmaram rumores e anunciaram planos para estabelecer uma linha de montagem de aeronaves comerciais na Índia, por meio de um memorando de entendimento revelado nesta terça-feira, 27, em Nova Delhi.
O acordo representa o primeiro passo formal para a montagem local de aviões comerciais da Embraer no país e sinaliza uma possível mudança relevante em relação ao modelo atual, no qual toda a produção de aeronaves comerciais da empresa está concentrada no Brasil.
Embora a Embraer não tenha especificado quais modelos seriam produzidos, a Adani afirmou no início do mês que o plano envolve toda a linha de produtos da fabricante, que vai do E175, com 76 assentos, passando pelo E190-E2, com 114 lugares, até o E195-E2, com capacidade para até 146 passageiros.
“A Índia é um mercado fundamental para a Embraer, e esta parceria reúne nossa experiência no setor aeronáutico às sólidas capacidades industriais da Adani e ao seu compromisso com o desenvolvimento da indústria local”, afirmou Arjan Meijer, Presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial.

“A aviação regional é essencial para o crescimento econômico. Com a ampliação da conectividade aérea em metrópoles regionais e cidades do interior do país, a criação de uma estrutura robusta para a aviação regional tornouse ainda mais necessária na Índia”, disse Jeet Adani, Diretor da Adani Defence & Aerospace.
A Adani Defence & Aerospace integra o grupo Adani, um dos maiores conglomerados industriais da Índia, com atuação relevante nos segmentos de aeroportos, defesa, manutenção e treinamento. Apesar da presença consolidada ao longo da cadeia aeronáutica, o grupo não possui experiência prévia na fabricação de aeronaves, o que coloca a Embraer como responsável direta pela transferência de conhecimento técnico e industrial associada ao projeto.
O plano das duas empresas é estabelecer uma infraestrutura inicial mais simples e gradualmente elevar o conteúdo nacional a fim de atender as exigências do governo indiano.
Menos de 50 aviões da Embraer no país
Para a Embraer, a parceria faz parte de uma estratégia mais ampla de entrada no mercado indiano, ainda pouco explorado pela empresa. Atualmente, menos de 50 aeronaves da fabricante estão em operação no país, e a Star Air é o único cliente comercial de maior porte, operando jatos E175 e ERJ145 de segunda mão. A companhia aérea regional pode anunciar nos próximos dias, durante a Wings India 2026, seu primeiro pedido direto à Embraer.
O acordo com a Adani ocorre em paralelo a outra iniciativa industrial na Índia. No ano passado, a Embraer assinou um entendimento com o grupo Mahindra, voltado ao segmento de defesa, para viabilizar a oferta do KC-390 Millennium à Força Aérea da Índia caso a aeronave seja selecionada na concorrência do programa MTA, que prevê a aquisição de 40 a 80 aviões de transporte militar.

O mercado de aviação comercial indiano está entre os que mais crescem no mundo, impulsionado pela expansão do tráfego doméstico e pela abertura de novas rotas. Hoje, companhias como IndiGo, Air India, Akasa Air e SpiceJet operam frotas compostas exclusivamente por aeronaves da Airbus, Boeing e ATR, sem presença de jatos comerciais da Embraer em escala relevante.
Pelo memorando assinado, Embraer e Adani devem avaliar aspectos ligados à montagem de aeronaves, desenvolvimento da cadeia de suprimentos local, serviços de pós-venda e treinamento. O acordo não estabelece prazos, investimentos ou um desenho industrial definitivo para a eventual linha de montagem.
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