A Embraer confirmou que fará um anúncio de grande impacto em Washington no próximo dia 10 de setembro, durante uma série de reuniões com líderes globais da indústria aeroespacial. Segundo a Reuters, a empresa descreveu a novidade como “a primeira do gênero” nos Estados Unidos.
O movimento ocorre em um momento em que a fabricante brasileira mantém tratativas com autoridades norte-americanas sobre a tarifa de 10% aplicada aos seus jatos regionais e em meio a especulações sobre novos investimentos ou parcerias no mercado dos EUA.
Atualmente, os Estados Unidos representam o principal mercado da Embraer: clientes americanos são responsáveis por 45% dos pedidos de aeronaves comerciais e 70% das entregas de jatos executivos. O E175, jato regional mais popular da empresa, tem presença consolidada nas rotas domésticas norte-americanas, operado por diversas companhias regionais.

Apesar da expectativa, não há indicação de que um novo modelo de avião será lançado neste momento. Fontes ligadas ao setor afirmam que a prioridade da Embraer é ampliar sua presença nos EUA.
Possível parceria com a Northrop Grumman?
Uma das hipóteses em alta seria o anúncio de uma parceria com a Northrop Grumman, gigante da indústria de defesa dos EUA. O CEO da divisão de defesa da Embraer, Bosco da Costa Junior, afirmou em junho que tratativas estão em curso voltadas ao KC-390 Millennium.
A Embraer propôs investir US$ 500 milhões em uma linha de montagem do cargueiro militar em território norte-americano.

A colaboração com a Northrop permitiria oferecer o C-390 à Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), aproveitando a sólida posição no mercado de defesa americano, onde já atua em programas estratégicos, como o bombardeiro furtivo B-21 Raider.
A estratégia da Embraer nos EUA ocorre em meio a tensões comerciais. Em julho, a empresa escapou de uma tarifa de 50% após uma isenção concedida pelo governo anterior, mas seus jatos seguem sujeitos a 10% de imposto de importação.
A fabricante brasileira tem pressionado por uma revisão dessas tarifas, destacando que emprega 3 mil pessoas nos EUA e pretende comprar US$ 21 bilhões em produtos americanos até 2030.

O anúncio da Embraer também ocorre em um cenário de forte expansão de produção aeroespacial nos Estados Unidos. A Airbus, por exemplo, deve confirmar nas próximas semanas a abertura de uma nova linha de montagem em Mobile, Alabama.
Analistas acreditam que a declaração da Embraer pode formalizar investimentos ou parcerias que já vinham sendo negociados e que poderão impactar tanto o mercado de jatos regionais quanto contratos de defesa e as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
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