Autoridades russas afirmaram que o avião de passageiros MC-21-310, desenvolvido com componentes de origem nacional, deverá atingir o alcance projetado de 5.000 km apenas em 2029. A declaração foi feita enquanto dois protótipos da aeronave passam por testes na Rússia.

Segundo Denis Manturov, vice-primeiro-ministro da Rússia e responsável pela área industrial, a principal expectativa de melhora no desempenho está associada à redução de peso da aeronave. Atualmente, o MC-21-310 apresenta um alcance estimado em cerca de 3.000 quilômetros, suficiente para a maior parte das rotas domésticas do país.

Em setembro, a United Aircraft Corporation (UAC) havia informado que o alcance inicial do MC-21-310 era de aproximadamente 3.830 km, valor abaixo da meta original. Já a variante de fuselagem mais curta, o MC-21-200, projetada para transportar cerca de 140 passageiros e também com alcance previsto de 5.000 km, segue em desenvolvimento, com entrada em serviço estimada apenas para 2029.

A certificação da versão do MC-21 com componentes totalmente nacionalizados deve ser concluída até o fim de 2026, segundo Sergey Chemezov, diretor-geral do conglomerado estatal Rostec.

O MC-21-310, versão com motores russos do jato comercial (UAC)
O MC-21-310, versão com motores russos do jato comercial (UAC)

 O programa MC-21 passou por uma mudança significativa após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. A versão original da aeronave, o MC-21-300, dependia de diversos sistemas ocidentais, incluindo os motores turbofan Pratt & Whitney GTF.

Como resposta às sanções impostas por países ocidentais, a UAC decidiu desenvolver uma versão baseada em substituição de importações, eliminando componentes estrangeiros. Essa estratégia, no entanto, resultou em atrasos adicionais no programa, em um momento de aumento da demanda por aeronaves comerciais por parte das companhias aéreas russas.

Diante desse cenário, o governo russo também retomou a produção de modelos mais antigos, como o Tupolev Tu-214, apesar de seu desempenho inferior em termos de eficiência operacional quando comparado a projetos mais recentes.