A Rússia continua afirmando que pode, algum dia, estabelecer uma produção parcial do jato comercial MC-21 nos Emirados Árabes Unidos, a despeito do ceticismo no Ocidente.
Falando à agência de notícias estatal TASS durante o Dubai Airshow 2025, o CEO da Rostec, Sergey Chemezov, afirmou que a proposta “não foi abandonada”, embora tenha reconhecido que não está atualmente em discussão.
Chemezov reiterou que a prioridade imediata é fornecer aeronaves fabricadas no país às companhias aéreas russas antes de buscar qualquer empreendimento de fabricação no exterior.
A declaração contrasta fortemente com a realidade enfrentada pelo programa MC-21. Após sanções ocidentais que cortaram o acesso a componentes importados críticos (incluindo compósitos avançados, aviônicos e motores Pratt & Whitney PW1400G), a aeronave passou por um redesenho substancial para integrar peças produzidas localmente.
A chamada versão com substituição de importados” do MC-21, equipada com motores PD-14 russos e asas compostas fabricadas no país, começou os testes de voo apenas no final de outubro. A certificação já foi adiada para o final de 2026, um prazo que a maioria dos analistas independentes considera otimista, dado o escopo da reengenharia ainda em andamento.

As oportunidades de exportação, como uma potencial linha de montagem nos Emirados Árabes Unidos, permanecem amplamente teóricas. Com os mercados internacionais cautelosos em relação a sanções secundárias e dependentes de estruturas regulatórias ocidentais, a Rússia até agora não conseguiu garantir clientes estrangeiros para o MC-21. O mercado da aeronave hoje é limitado a companhias aéreas domésticas e um punhado de estados alinhados politicamente com Putin, como a Bielorrússia.
Esses desafios refletem os do SJ-100, a versão revisada e totalmente “russificada” do Superjet 100. O programa também está substituindo todos os sistemas ocidentais, incluindo o motor Franco-Russo SaM146, por uma planta de energia doméstica que ainda está em fase inicial de testes.

Em um esforço para ampliar as perspectivas da aeronave, o governo russo assinou recentemente um acordo preliminar com a Índia para estabelecer a montagem local do SJ-100, uma medida destinada a alcançar mercados menos expostos a controles de exportação ocidentais.
No Dubai Airshow, a Rússia continua a projetar confiança. Mas, entre sanções, contratempos técnicos e lentidão no progresso de certificação, os programas de aeronaves comerciais do país ainda estão longe de ter o alcance global sugerido pela retórica oficial.
Aviação Comercial

