A Rússia está avaliando restaurar antigos biplanos Antonov An-2 para cobrir lacunas na aviação regional e geral após atrasos no desenvolvimento de uma aeronave substituta moderna.
A proposta, revelada pelo site Kommersant, foi apresentada pelo Instituto de Pesquisa Aeronáutica da Sibéria (SibNIA), que estima que até 700 aeronaves An-2 atualmente em armazenamento poderiam ser devolvidas ao serviço nos próximos cinco a sete anos. A iniciativa surge em um momento em que operadores enfrentam uma escassez de aeronaves adequadas para rotas remotas, especialmente na Sibéria e no Extremo Oriente.
Com seu primeiro voo realizado em 1947, o An-2 é um biplano monomotor movido por um motor radial de pistão e se tornou uma das aeronaves utilitárias mais utilizadas na União Soviética. Conhecido por sua capacidade de operar a partir de pistas curtas e não preparadas, ele desempenhou funções que variam de transporte de passageiros e carga até aviação agrícola. Sua versatilidade e longevidade frequentemente geram comparações com o Douglas DC-3 nos Estados Unidos.

Mais de 17.000 unidades foram construídas, mas a maioria foi aposentada desde então. Cerca de 250 aeronaves permanecem em operação, com várias centenas a mais armazenadas ou sob a posse de proprietários e organizações privadas. A SibNIA argumenta que muitos desses aeronaves utilizaram apenas uma fração de sua vida estrutural e poderiam continuar voando por décadas se reformadas, incluindo atualizações nos motores e nos aviônicos.
As autoridades já começaram a devolver algumas aeronaves à operação. Desde 2024, mais de uma dúzia de An-2 anteriormente destinados à sucata foram restaurados e colocados de volta em serviço, mesmo com os custos de manutenção permanecendo altos devido ao acesso limitado a peças.
O renovado interesse no An-2 surge em meio aos contratempos no programa LMS-901 Baikal, uma aeronave monomotora de asa alta destinada a substituir o biplano. O projeto enfrentou desafios técnicos, particularmente pela substituição de um motor fornecido no Ocidente por uma alternativa nacional após sanções restringirem o acesso a componentes estrangeiros.

Em fevereiro de 2026, um protótipo do Baikal equipado com o turboélice russo VK-800SP completou um voo curto, atingindo cerca de 190 km/h durante uma missão de 10 minutos. Embora o teste tenha marcado progresso, o programa ainda está atrasado em relação ao cronograma original, que previa a entrada em serviço mais cedo na década.
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