Companhias aéreas russas estão se preparando para recuperar jatos há muito tempo fora de serviço, incluindo os envelhecidos Boeing 747, à medida que as sanções continuam restringindo o acesso a novas aeronaves, peças de reposição e suporte dos fabricantes, segundo a RBC-Ukraine, citando o Serviço de Inteligência Estrangeira da Ucrânia.

O serviço de inteligência afirma que, em 2026 e 2027, as empresa russas planejam reativar aeronaves que, em sua maior parte, têm mais de 30 anos. A medida é descrita como uma resposta forçada à redução da frota, opções limitadas de manutenção e à ausência de perspectivas realistas de renovação sob sanções.

A atenção especial foi dada ao reuso do Boeing 747, uma aeronave quadrimotor de grande porte que agora está, em sua maior parte, fora de operação de passageiros em todo o mundo devido aos altos custos operacionais e à baixa eficiência de combustível em comparação com jatos mais novos de dois motores.

Boeing 747-400 da Rossiya Airlines (Papas Dos)
Boeing 747-400 da Rossiya Airlines (Papas Dos)

De acordo com o relatório, a Rossiya Airlines está ampliando sua frota de Boeing 747 herdados após a falência da Transaero Airlines. Muitas dessas aeronaves têm mais de 20 anos e passaram anos em armazenamento antes de serem devolvidas ao serviço.

O serviço de inteligência observa que a reativação de aeronaves fabricadas no Ocidente destaca a gravidade da situação, uma vez que esses jatos não recebem mais suporte direto dos fabricantes na Rússia. O acesso a peças de reposição certificadas, documentação técnica e soluções de manutenção aprovadas continua restrito, complicando a operação.

Juntamente com aeronaves de fabricação estrangeira, a Rússia também está reativando modelos mais antigos produzidos internamente. Sob um programa de renovação de aeronaves estendido até 2027, 10 das 12 aeronaves planejadas já foram devolvidas ao serviço, incluindo os tipos Tupolev Tu-204/214, Ilyushin Il-96 e Antonov An-148, este desenvolvido na Ucrânia.

Duas aeronaves adicionais do modelo Tu-204 devem voltar a operar entre 2026 e 2027, apesar do que o serviço de inteligência descreveu como obsolescência técnica e operacional.

O Antonov An-148 (Alex Beltyukov)
O Antonov An-148 (Alex Beltyukov)

Em outubro de 2025, as maiores companhias aéreas da Rússia operavam uma frota combinada de 1.135 aeronaves, das quais 1.088 estavam ativas. Cerca de 67% da frota era composta por aeronaves de fabricação estrangeira, que, segundo o serviço de inteligência, estão se tornando cada vez mais difíceis de manter devido às sanções e à escassez de peças de reposição.

A crise é descrita como particularmente aguda no setor de aviação de carga. O tráfego aéreo de carga na Rússia caiu de 9,2 bilhões de toneladas-quilômetro em 2021 para 1,9 bilhão de toneladas-quilômetro em 2024, segundo a mesma avaliação.