A Embraer pode ver uma atual cliente de seus E-Jets encomendar o rival A220, da Airbus, se depender do sindicato dos pilotos de linha aérea da França.

A regional francesa Air France HOP (antiga HOP!), que pertence à Air France, pretende renovar sua frota, hoje composta de 19 E170 e 13 E190, além de dez CRJ-1000, prestes a serem aposentados.

No entanto, a empresa não pode operar aviões com mais de 110 assentos, uma espécie de cláusula de escopo francesa acertada com a sua empresa-mãe há cerca de 20 anos.

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O SNPL, a entidade que representa seus pilotos, enxerga a questão de outra forma, como revelou o jornal Les Echos. Para ela, a cláusula deve ser revista para permitir que a HOP opere aviões com até 135 assentos, o que abriria a possibilidade de voar com o A220-100, menor versão da aeronave da Airbus.

Em março o jornal Les Echos afirmou que a Air France e a Embraer estavam negociando um acordo para aquisição de 35 a 50 jatos E190-E2, de nova geração, para renovar a frota da HOP.

"Escolher o E190-E2 seria um erro estratégico", disse uma fonte anônima do Les Echos nesta semana. "É muito pequeno e muito pesado. Além disso, a Embraer tem dificuldades para vendê-lo", acrescentou.

O 10º A220-300 da Air France (AF)
O 10º A220-300 da Air France (AF)

Sinergia com a Air France

A Air France negocia com o SNPL um aumento de produtividade dos funcionários da HOP em troca da renovação de frota, mas o sindicato tem postergado qualquer entendimento, na esperança de mudar a cláusula de escopo, diz o jornal.

Os defensores do A220 apontam que sua escolha aumentaria as sinergias com a Air France, que recentemente introduziu a aeronave da Airbus em sua frota. Isso também facilitaria a passagem de pilotos da HOP para sua controladora, argumenta o Les Echos.

A HOP foi criada em 2013 após a fusão da Brit Air, Régional e da Airlinar, mas viu sua frota ser reduzida de quase 100 aeronaves para apenas 32 jatos.

Há três anos, a Air France se comprometeu a manter a regional ativa até março de 2026. A companhia aérea de bandeira francesa afirmou ao jornal que não há discussão sobre a mudança na cláusula de escopo.