Desde o início da guerra na Ucrânia, a outrora ampla indústria russa de aviação civil praticamente paralisou. Apesar de herdar cerca de duas dezenas de fábricas do período soviético, apenas 13 novos jatos comerciais teriam sido concluídos nos últimos três anos, com as sanções ocidentais bloqueando o acesso a componentes essenciais.

Doze dessas aeronaves são Sukhoi Superjet 100 (SSJ-100), jatos regionais de 100 lugares ainda fortemente dependentes de sistemas e peças importadas, hoje indisponíveis.

O 13º avião é um Tupolev Tu-214, matrícula RA-64535, que voou pela primeira vez em 27 de dezembro de 2024 e entrou oficialmente para a frota da Red Wings — ao menos no papel.

O MC-21 na linha de montagem em Irkutsky
O MC-21 na linha de montagem em Irkutsky

Em vez do tradicional esquema vermelho e branco da companhia, o Tu-214 exibe uma pintura branca e prateada simples. Segundo fontes da Reuters, a aeronave foi adaptada para uso VIP pelo vice-primeiro-ministro Denis Manturov. Dados de rastreamento ADS-B indicam que o jato voa pouco — apenas seis decolagens registradas em julho.

O SJ-100 em Zhukovsky, na região de Moscou (UAC)
O SJ-100 em Zhukovsky, na região de Moscou (UAC)

MC-21 ficou mais pesado com itens russos

A baixa produção contrasta com as promessas recorrentes das autoridades russas de retomar com urgência a fabricação de aviões comerciais. Os planos incluem desde a reativação da linha do ultrapassado Tu-214 até a “russificação” dos modelos MC-21 e SJ-100, substituindo peças importadas por equivalentes nacionais.

A United Aircraft Corporation (UAC), controladora das principais fabricantes do país, agora prevê o início da produção em série para 2026, após múltiplos atrasos.

Protótipos do MC-21-310, equipado com motores PD-14, e do SJ-100, com turbofans PD-8, ainda passam por voos de certificação. Autoridades afirmam que várias unidades estão em montagem, aguardando liberação da agência de aviação civil russa.

Protótipo 005 foi quase todo ‘russificado’: ainda faltam alguns itens para remover todo conteúdo ocidental (UAC)
Protótipo 005 foi quase todo ‘russificado’: ainda faltam alguns itens para remover todo conteúdo ocidental (UAC)

Ainda assim, tanto o cronograma quanto a capacidade produtiva seguem incertos. Muitas unidades não fabricam aeronaves comerciais em volumes relevantes há décadas.

Especialistas alertam que, mesmo quando entregues, os jatos “russificados” provavelmente ficarão aquém do desempenho original. O MC-21, projetado para substituir o Airbus A321, teria ficado cerca de seis toneladas mais pesado após as alterações, reduzindo sua autonomia e eficiência.

Enquanto enfrenta atrasos nos programas nacionais, a Rússia depende cada vez mais de redes ilegais de fornecimento para obter peças ocidentais e manter em operação centenas de aviões Boeing e Airbus, apesar das sanções.