Você já deve estar acostumado a chegar a um aeroporto nacional e ver somente aeronaves pequenas de companhias brasileiras, tais como o Boeing 737 ou o Airbus A320. Isso sem contar os Embraer E-Jets ou mesmo o turboélice ATR 72.

Já em um terminal internacional é comum avistar um A330 ou 767 e quem sabe um 787 ou A350, mas saiba que num passado não muito distante, grandes aeronaves de companhias nacionais levaram e trouxeram passageiros em rotas para o exterior e, em alguns casos, mesmo entre cidades brasileiras.

Muita gente que hoje passa por Porto Alegre nem imagina que o capital gaúcha foi sede de uma grande companhia aérea nacional, a saudosa Varig. A empresa gaúcha foi a precursora dos grandes jatos no país e chegou a ter por exemplo 20 unidades do Boeing 707 ao mesmo tempo em que operava também os rivais DC-8 e Convair Coronado.

Já a Vasp teve em sua frota em épocas diferentes o Airbus A300, DC-10 e um dos primeiros trirreatores MD-11, da McDonnell Douglas. E a Transbrasil foi a pioneira a utilizar o Boeing 767, rebatizada por ela como “wideboeing” em sua publicidade.

Veja a seguir quais foram os maiores jatos operados por companhias aéreas brasileiras:

Boeing 777

A Varig operou o Boeing 777 nos anos finais de sua história (Aero Ícarus)
A Varig operou o Boeing 777 nos anos finais de sua história (Aero Ícarus)

Em 2001, a Varig trouxe ao Brasil (e América Latina) o birreator Boeing 777, um avião que foi criado para substituir o 747 com mais eficiência em rotas longas e com uma densidade de passageiros menor. Com dois enormes motores, o modelo 777-200ER só ficava atrás do Jumbo com seus 63 metros de comprimento e 61 m de envergadura.

A Varig chegou a operar oito unidades do modelo, que transportava de 240 a 287 passageiros. A TAM (atual LATAM Airlines Brasil) só viria a operar alguns anos depois do encerramento da empresa gaúcha, mas com sua versão maior, o 777-300ER, que é usado atualmente em rotas longas e que mede 74 metros de comprimento e 65 de envergadura, sendo hoje o maior avião de uma companhia brasileira.

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Boeing 747

Boeing 747-400 da Varig: maior companhia aérea desaparecia há 10 anos
Boeing 747-400 da Varig: maior companhia aérea desaparecia há 10 anos

O Boeing 747-400 foi o maior jato operado por uma companhia aérea brasileira no passado. Ele voou entre 1991 e 1994 com três unidades sob arrendamento para a Varig, que o colocou nas rotas para os EUA, Europa, África e Ásia.

Com 70,6 metros de comprimento, 64,4 metros de envergadura e 19,4 metros de altura, o Boeing 747-400 tem peso de decolagem de quase 400 toneladas e podia cobrir rotas de mais de 13 mil km com 382 passageiros a bordo na configuração da Varig com três classes.

Eles não foram os primeiros jumbos da Varig. A companhia introduziu o jato da Boeing nos anos 80, primeiro com os 747-200 e depois com os 747-300. Com o mesmo comprimento do 400, os modelos 200 e 300 tinham envergadura menor: 59,9 metros e peso de decolagem inferior; 377 toneladas. Além disso, o 747-200 levava menos passageiros, variando de 238 a 359 assentos em três classes na Varig.

Já o 747-300 teve duas séries (B e C), levando de 261 a 399 passageiros, dependendo da configuração. Este último chegou a operar regularmente nas rotas São Paulo-Manaus e São Paulo-Recife nos anos 90.

Airbus A340

Se a TAM é uma grande cliente do A330 foi apenas uma breve usuária do irmão A340 de quatro motores
Se a TAM é uma grande cliente do A330 foi apenas uma breve usuária do irmão A340 de quatro motores

Com 68 metros de comprimento e 63,5 de envergadura, o Airbus A340-500 foi um gigante dos ares no Brasil, tendo sido operado pela TAM entre 2007 e 2011, impressionando com seu alcance de mais de 16.000 km, um recorde mundial que só foi quebrado em 2006 pelo 777-300LR.

A TAM teve apenas duas aeronaves e ficou apenas quatro anos com eles até receber as primeiras unidades do 777-300ER.

Airbus A350

Airbus A350 da LATAM (Ken Fielding)
Airbus A350 da LATAM (Ken Fielding)

Com fuselagem e asas feitas em fibra de carbono, o Airbus A350-900 é hoje o segundo maior jato da LATAM Brasil. Levando 348 passageiros em três classes, o birreator de longo alcance pode cobrir distâncias de 15.000 km.

Atualmente a frota da LATAM é composta por 8 aeronaves e atualmente é a única operadora do modelo por aqui. Ele mede 67 metros de comprimento e a envergadura das asas é de 65 metros.

McDonnell Douglas MD-11

MD-11 da Vasp (Kambui/Wikimedia)
MD-11 da Vasp (Kambui/Wikimedia)

Com pouco mais de 61 metros e 51 metros de envergadura, o McDonnell Douglas MD-11 foi o mair trimotor operado por empresas brasileiras. Sucessor do saudoso DC-10, o jato alcance superior a 12.800 km. Os primeiros exemplares pousaram no Brasil em 1991.

O MD-11 foi muito popular no Brasil, já que só a Varig operou 26 aeronaves entre 1991 e 2006, levando de 241 a 285 passageiros em três classes. A TAM também contou com três exemplares antes da chegada do 777-300ER. Outro operador foi a VASP, que teve nove aparelhos do tipo.

Airbus A330

A frota da Azul conta atualmente com sete jatos Airbus A330 (Azul/Gianfranco Beting)
A frota da Azul conta atualmente com sete jatos Airbus A330 (Azul/Gianfranco Beting)

Ele tem 58 metros de comprimento e 60 m de envergadura. Chegou ao Brasil em 1998, durante uma festa da companhia TAM para recebê-los no aeroporto de Congonhas, um local inesperado para um avião tão grande. De lá para cá, a empresa operou 12 exemplares do A330-200, que posteriormente foram substituídos pelo A350.

A extinta Avianca Brasil foi outro operador do A330-200, com quatro exemplares. Atualmente, a Azul é único operador do A330 no Brasil, com oito modelos A330-200 e mais quatro unidades do novo A330-900neo, recebidos a partir de 2019.

Douglas DC-10

DC-10, o primeiro widebody da Varig (Pedro Aragão)
DC-10, o primeiro widebody da Varig (Pedro Aragão)

Em 1974 vieram para o Brasil os primeiros McDonnell Douglas DC-10, comprados pela Varig, que chegou a ter 15 exemplares voando pelos céus do país, da Europa e EUA. O jato de três motores foi o antecessor do MD-11 e popular nas rotas internacionais ao lado do 707.

Nos anos 70, só havia duas classes (Primeira e Econômica) e levava 241 passageiros, que foi sua maior lotação em todos os anos em que operou na empresa. Porém, entre 1997 e 1998, a VASP chegou a ter três aeronaves operando em rotas internacionais. Tinha 55 metros de comprimento e 50 m de envergadura de asa.

Boeing 767

O Boeing 767 da Transbrasil foi o primeiro do tipo na América Latina (Christian Volpati)
O Boeing 767 da Transbrasil foi o primeiro do tipo na América Latina (Christian Volpati)

O Boeing 767 foi o primeiro birreator de longo alcance e fuselagem larga do fabricante americano e foi (e ainda é) popular no Brasil, chegando aqui em 1983 pelas mãos não da Varig, mas da Transbrasil, que trouxe três unidades do 200 e as operava de Congonhas! Esta versão tem 48 metros de comprimento e 47 m de envergadura.

Em 1993, a Transbrasil comprou quatro 767-300. A Varig foi a segunda cliente brasileira do Boeing, com 6 unidades do modelo 200 (até 225 passageiros) sendo entregues a partir de 1987. A empresa também teve oito unidades do 300ER (até 221 passageiros) de alcance estendido.

O 767 se mantém como um jato de fuselagem larga tradicional no Brasil. Além das duas pioneiras, a Gol e a RIO Linhas Aéreas o operaram brevemente na versão -200. Já o 767-300ER teve uma curta carreira na Oceanair (Avianca Brasil) e BRA. Atualmente a Latam Airlines Brasil tem 13 exemplares do 767-300ER em operação.

Airbus A300

Airbus A300 da Cruzeiro do Sul (Kambui/Wikimedia)
Airbus A300 da Cruzeiro do Sul (Kambui/Wikimedia)

Primeiro avião produzido pela Airbus, o A300 chegou ao Brasil em 1981 pelas mãos da Varig após a compra da Cruzeiro do Sul, que encomendou quatro aviões. Dois ficaram com a pintura da primeira e dois com a segunda. Com quase 54 metros de comprimento e 45 de envergadura, o birreator europeu levava 234 passageiros em duas classes na Varig.

Pouco depois, em 1982, a Vasp adquiriu três exemplares da versão B2 (com menor alcance), todos para operações em Congonhas, levando 240 passageiros em rotas domésticas ou charters para o Caribe e a Flórida. Foi um dos maiores e mais silenciosos aviões a operar no aeroporto “urbano” de São Paulo e até pouco tempo atrás era visto desmontado nos seus antigos hangares.

Veja também: Os aviões raros que voaram no Brasil