Nesta segunda-feira, 11 de agosto, a Embraer celebra os 30 anos do primeiro voo do ERJ 145, marco que redefiniu o transporte aéreo regional e consolidou a fabricante brasileira no mercado global de jatos comerciais.

O voo inaugural, realizado em 1995 a partir da fábrica em São José dos Campos (SP), foi o resultado de anos de estudos de diferentes configurações, até a definição de um projeto com motores instalados na parte traseira da fuselagem.

A Embraer lançou a proposta de uma aeronave regional a jato no final dos anos 90, ainda durante sua fase estatal. O modelo seguiu a tradição e foi chamado de EMB 145.

A primeira configuração trazia motores sobre as asas e lembrava uma versão alongada do turboélice EMB 120 Brasilia.

A ExpressJet foi a primeira cliente do ERJ (redlegsfan21)
A ExpressJet foi a primeira cliente do ERJ (redlegsfan21)

A solução não teve bons resultados e os engenheiros da empresa então optaram por motores sob as asas, mas isso também resultou num problema:  o trem de pouso teria de ser muito alto para dar espaço aos turbofans.

No fim, a clássica solução de cauda em T com motores no fim da fuselagem se mostrou certeira.

O modelo foi concebido para atender rotas de alta frequência com capacidade para 37 a 50 passageiros, oferecendo voos diretos a mercados que até então não contavam com jatos próprios para curtas e médias distâncias.

O cliente lançador, a norte-americana ExpressJet Airlines, recebeu a primeira unidade de produção em 1996 e chegou a operar uma frota de 250 aeronaves para a Continental Express.

O então EMB 145 (ERJ-145) decola pela primeira vez em 11 de agosto de 1995
O então EMB 145 (ERJ-145) decola pela primeira vez em 11 de agosto de 1995

No segmento comercial, além do modelo básico de 50 lugares, foram desenvolvidos o ERJ 135, com 37 assentos, e o ERJ 140, com 44 assentos, voltados para mercados de menor demanda.

Na aviação executiva, a plataforma originou os jatos Legacy 600 e Legacy 650, adaptados com interiores de alto padrão e maior autonomia.

O projeto também deu origem a variantes militares e especiais, como o EMB 145 AEW&C, equipado com radar de vigilância aérea; o EMB 145 RS/AGS, voltado para sensoriamento remoto; e o EMB 145 MP, destinado a patrulha marítima e missões de inteligência. Essas derivações reforçaram a versatilidade do projeto e expandiram sua presença para além do transporte regional de passageiros.

O ERJ 145 AEW “Netra” da Força Aérea da Índia (Embraer)
O ERJ 145 AEW “Netra” da Força Aérea da Índia (Embraer)

Em três décadas, mais de 1.200 aviões da família ERJ foram produzidos, incluindo variantes comerciais, corporativas e militares. Cerca de 40% permanecem ativos em cerca de 60 companhias aéreas ao redor do mundo.

O programa ERJ pavimentou o caminho para o desenvolvimento da família E-Jets, referência no segmento de jatos de corredor único de menor porte.

Segundo a Embraer, o modelo refletia valores centrais da empresa como resiliência, parceria, ousadia e inovação — fundamentos que continuam guiando seus projetos e sustentando seu papel de liderança na aviação regional.