No final de setembro, a LATAM surpreendeu o mercado ao anunciar a compra de 24 Embraer 195-E2 com mais 50 opções. Os novos jatos estão previstos para serem entregues no segundo semestre de 2026 e inicialmente serão operados pela divisão brasileira da LATAM, com possível ampliação para outras unidades do grupo.
Os E2 poderão substituir tanto o Airbus A319 quanto entrar em mercados menores, aumentando a capilaridade de rotas do conglomerado sul-americano. A compra é, em vários pontos, um ganha-ganha para ambos os lados.
Para a LATAM, ela tem acesso à nova geração de aviões, ganha flexibilidade de oferta, tem o suporte pós-venda da Embraer em solo nacional e evita ficar em uma longa fila para aguardar o Airbus A220.
Para a Embraer representa o fortalecimento do programa E2, uma vitória em ter uma operadora da Airbus indo para a Embraer depois de perdas de clientes como a JetBlue e LOT e o prestígio de uma empresa do primeiro time da aviação mundial em escolher seus jatos, além de ser uma empresa situada no mesmo país eu que fabrica os aviões.

A LATAM se tornará a terceira operadora do Embraer 195-E2 no país, após a Azul e a Placar Linhas Aéreas. Mas não é a primeira vez que a LATAM demonstra interesse no avião da Embraer, ainda que o interesse tenha sido da precursora TAM.
O substituto do Fokker 100
Em 2000, a TAM vivia um período de intensa expansão. Com os reluzentes A319-100, A320-200 e o flagship A330-200, a empresa cresceu na esteira de suas concorrentes, que implodiram com a desvalorização do Real em 1999. Os Fokker 100 ainda eram a espinha dorsal da frota, com aproximadamente 50 unidades, mais da metade da frota da TAM.
Entretanto, o jato holandês era estigmatizado por alguns passageiros pelos dois acidentes que ocorreram entre 1996 e 1997. Além disso, a falência da Fokker em 1996 fazia com que as peças de reposição tornassem cada vez mais difíceis.
Neste espírito, o presidente da TAM, Rolim Amaro, anunciou no dia 20 de junho de 2001, durante o Paris Air Show (Le Bourget), um Memorando de Entendimento para a compra de 25 Embraer 190-200 – na época como era denominado o E195 –, com mais 75 opções, podendo chegar até US$ 3 bilhões de encomendas, a maior feita por uma companhia aérea brasileira até então.

Os EMB-190-200 teriam capacidade para 108 passageiros em classe única, com previsão de entregas a partir de 2004. As opções podiam ser convertidas para o menor EMB-170.
Rolim ressaltava o fato de as duas empresas serem nacionais: “É uma escolha natural, já que a TAM é uma empresa brasileira como a Embraer. Vemos no ERJ-190-200 diversas aplicações úteis”. O plano do comandante, que pretendia ter a frota 38 jatos A319/A320, 10 A330-200 e 100 E190, era dominar 50% do mercado brasileiro.
Na mesma feira, a TAM anunciou a compra de 20 Airbus A318 para 120 passageiros. O anúncio da compra do menor modelo da Airbus causou certo constrangimento por parte da Embraer, pois o anúncio da venda de seus aviões foi feito também no stand da Airbus.

Menos de três semanas após a compra, Rolim Amaro morreu em um acidente de helicóptero. Some-se a isso a crise decorrente do racionamento de energia e o interesse da TAM pelos novos A318 e E190-200 foi diminuindo até o ponto de a compra não ser formalizada por ambas as empresas.
O Embraer E-Jet só operaria em uma empresa aérea brasileira a partir de 2008, quando a Azul começou suas operações com o jato brasileiro.
Antes disso, a TAM havia voado com aviões da Embraer, os pioneiros EMB-110 Bandeirante, turboélices que foram herdados da VASP, então sócia de Rolim na regional lançada em 1976.


